Em 2022, um grave incidente de contaminação por agrotóxicos abalou a comunidade escolar de uma instituição de ensino localizada na zona rural de Sinop, Mato Grosso. Crianças e servidores da educação básica foram expostos a substâncias tóxicas, revelando a fragilidade das medidas de segurança em torno do uso de agrotóxicos na região. Na época, o professor Wanderlei Pignati, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso, destacou que “MT é campeão nacional de consumo de agrotóxico”. Esse fato alarmante sublinha a crescente preocupação com a saúde pública no estado.
De lá para cá, a realidade do envenenamento da população mato-grossense parece apenas se agravar, conforme demonstrado pelo documento “Vivendo em territórios contaminados: um dossiê sobre agrotóxicos nas águas do Cerrado”. A situação contradiz o legado da saudosa pesquisadora Michele Sato, reconhecida internacionalmente por suas pesquisas e pensamento inovador em Educação Ambiental. Apesar de sua influência, a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso não possui programas ou políticas eficazes para implementar a Educação Ambiental na rede estadual.
Em um estado que lidera o consumo de agrotóxicos e enfrenta altos índices de queimadas e desmatamento, a ausência de Educação Ambiental na Educação Básica levanta questionamentos sobre negligência ou intencionalidade no contexto das políticas governamentais. Ao analisarmos a Política de EducaAção 10 anos, composta por mais de 25 políticas frequentemente mencionadas pelo secretário Alan Porto, observa-se que a Educação Ambiental não ocupa nenhum lugar de destaque.
Além disso, a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) não oferece materiais didáticos específicos em Educação Ambiental, o que dificulta a implementação dessa temática nas escolas da rede. A falta de formação continuada para professores na área é outro indicativo de desqualificação do debate ambiental nas unidades escolares.
A Lei Nº 10.903, aprovada em 07 de junho de 2019, que institui a Política Estadual de Educação Ambiental, não gerou, na prática, nenhum avanço significativo. O Programa Estadual de Educação Ambiental, previsto pela lei, ainda não foi criado. A educação ambiental, que deveria ser “desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente, em todos os níveis e modalidades do ensino escolarizado”, parece existir apenas no papel.
Dessa forma, o estado de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Educação continuam a implementar um projeto que desconsidera a importância da Educação Ambiental, formando cidadãos acriticos em relação às questões ambientais urgentes.


















