A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, nesta semana, um requerimento que solicita explicações detalhadas do governo de Mauro Mendes (União) sobre o aporte de R$ 448,5 milhões de recursos públicos no MT-Par Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizado (FIDC NP). A medida ocorre após a liquidação extrajudicial da administradora do fundo, a Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (atualmente denominada CBSF DTVM), decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026.
O requerimento, de autoria do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), busca esclarecer a segurança dos ativos públicos diante do colapso da Reag, que é alvo de investigações por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. A gestora está no centro do chamado “Caso Master”, envolvendo fraudes no Banco Master, e sob suspeita de atuar em esquemas de lavagem de dinheiro para a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Aporte e a Estrutura do Fundo
O investimento de quase meio bilhão de reais foi realizado pela MT-Par (Mato Grosso Participações e Projetos S.A.), empresa de economia mista do Estado, com o objetivo de estruturar financeiramente projetos estratégicos, incluindo a concessão da rodovia BR-163/MT. A contratação da Reag DTVM para constituir e administrar o fundo ocorreu em 2023, mediante dispensa de licitação, o que agora amplia o escrutínio sobre a escolha da instituição.
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Item
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Detalhes da Operação
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Valor do Aporte
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R$ 448.500.000,00
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Entidade Responsável
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MT-Par (Governo de Mato Grosso)
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Instrumento
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FIDC NP (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios)
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Administradora
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Reag DTVM (CBSF DTVM)
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Status da Gestora
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Liquidada pelo Banco Central (Jan/2026)
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Conexões Criminosas e o “Caso Master”
A situação da Reag DTVM agravou-se significativamente nos últimos meses. Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou sua liquidação citando “graves violações”. A empresa é investigada pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras que teria beneficiado o Banco Master.
Mais grave ainda são as suspeitas levantadas por investigadores de que a estrutura da Reag teria sido utilizada para ocultar e lavar capitais provenientes do tráfico de drogas operado pelo PCC. Recentemente, em março de 2026, a prisão de Daniel Vorcaro, figura central ligada ao Banco Master, trouxe novos elementos sobre o colapso de instituições que mantinham relações próximas com a gestora do fundo mato-grossense.
Questionamentos da Assembleia Legislativa
No documento aprovado pela ALMT, o deputado Lúdio Cabral exige que o governo apresente:
1.O valor atualizado do patrimônio líquido do fundo MT-Par FIDC NP;
2.A composição detalhada da carteira de ativos e a identificação dos custodiantes;
3.A avaliação de riscos atualizada após a liquidação da Reag;
4.A justificativa técnica para a manutenção dos recursos em uma instituição sob investigação.
“É fundamental que o governo explique como esses R$ 448 milhões estão protegidos. Estamos falando de dinheiro público aplicado em uma estrutura gerida por uma empresa que o Banco Central tirou do mercado por suspeitas de crimes gravíssimos, incluindo ligação com o crime organizado”, afirmou o parlamentar durante a sessão.
Impacto na BR-163
Uma das maiores preocupações reside no impacto que a instabilidade do fundo pode causar na concessão da BR-163. A MT-Par assumiu o controle da rodovia com a promessa de acelerar investimentos em duplicação e manutenção, utilizando o FIDC como uma de suas ferramentas de financiamento. A incerteza sobre a liquidez dos ativos pode comprometer o cronograma de obras e a saúde financeira da concessionária.
Até o fechamento desta reportagem, o Governo de Mato Grosso e a diretoria da MT-Par não haviam emitido uma nota oficial detalhando as medidas de contingência adotadas para proteger o patrimônio público após a liquidação da Reag DTVM. O prazo para resposta ao requerimento da Assembleia Legislativa é de 30 dias.





















