Embora a maioria branca e masculina continue predominando, a autodeclaração de raça e gênero revela um Brasil mais diversificado e cada vez mais disposto a se apresentar como tal. A soma dos candidatos que se declaram pardos (36,2%) e pretos (13,6%) chega a 49,9% do total, mostrando um equilíbrio em relação aos 48,7% de candidatos brancos. Por outro lado, as candidaturas indígenas somam apenas 0,93% (191 registros) e as de pessoas amarelas, 0,52% (107 registros).
No campo da identidade de gênero e orientação sexual, a Justiça Eleitoral registrou um marco importante. Essa identificação é opcional tanto para eleitores quanto para candidatos, e começou a ser coletada nas eleições municipais de 2024. Naquela ocasião, 35% dos candidatos quis responder sobre identidade de gênero, e 32% sobre orientação sexual. Nesta eleição, mais da metade dos candidatos o fez: 58% e 51%, respectivamente.
A representatividade de pessoas transgêneras e LGBTQIAPN+ ainda é baixíssima, dentro desse recorte: mais de 99% dos declarantes se identificam como cisgêneros e mais de 98%, como heterossexuais. Porém, o aumento da participação pode indicar que a linguagem da diversidade, pelo menos, está se tornando mais natural. Também é possível se inscrever com o nome social, opção que existe desde 2018 e que 53 candidatos fizeram.
Para Carmela Zigoni, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), a inclusão dessas informações nos registros eleitorais também representa um avanço na visibilidade de grupos historicamente sub-representados nos espaços de poder.
— Quando o Estado passa a registrar esses dados, as minorias sociais conseguem maior visibilidade e passam a ter mais informações para traçar estratégias para disputar os espaços de poder. Paralelamente, eleitoras e eleitores também conseguem ter mais informações sobre as candidaturas para a escolha do voto. A visibilidade contribui para superar a exclusão política, mas a equidade e a inclusão só serão efetivas se os partidos políticos de fato investirem nessas candidaturas. Para isso, legislações novas de garantia de participação, capazes de contribuir para a superação desse passivo histórico, também são importantes — avalia.



















