Bazar no Fórum de Várzea Grande incentiva moda circular e fortalece ações sociais

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Fotografia de um ambiente de bazar de roupas. Mesas cobertas com peças de vestuário dobradas e araras repletas de cabides com roupas variadas estão dispostas no espaço. Ao fundo, janelas grandes e uma pessoa de costas com camiseta verde.Roupas, calçados e acessórios ganharam novos donos e, ao mesmo tempo, passaram a representar esperança para mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. Essa foi a proposta do bazar beneficente do projeto Armário Solidário, realizado nesta quinta-feira (08) no Fórum da Comarca de Várzea Grande. A iniciativa reuniu solidariedade, consumo consciente e responsabilidade ambiental com a venda de peças arrecadadas junto a magistrados(as), servidores(as) e colaboradores(as) do Poder Judiciário de Mato Grosso.
Organizado pelos agentes de sustentabilidade do Fórum de Várzea Grande, toda a renda obtida com o bazar será destinada à Organização da Sociedade Civil (OSC) Lírios, sediada em Várzea Grande, que desenvolve ações de acolhimento e apoio psicossocial gratuito a mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade.
Uma mulher de camiseta verde sorri para a câmera. Atrás dela, uma mesa longa com pilhas de roupas coloridas e araras cheias de vestuário. O ambiente parece ser um galpão com iluminação natural. Outras pessoas estão ao fundo.A gestora-geral do Fórum de Várzea Grande, Luciana Tolovi explicou que a ideia vinha sendo planejada desde o ano passado e ganhou forma em 2026, com a criação de uma comissão organizadora, a publicação de edital e a mobilização de diferentes unidades do Judiciário para arrecadar as doações.
“A iniciativa partiu dos agentes de sustentabilidade aqui de Várzea Grande. Era uma ideia que eles queriam colocar em prática desde o ano passado, e neste ano conseguimos realizar. Nosso objetivo foi incentivar a ‘moda circular’, de forma sustentável beneficiar nossos terceirizados e estagiários e, ao mesmo tempo, destinar os recursos a uma instituição que cuida de mulheres e crianças vítimas de violência doméstica”, destacou.
Com preços acessíveis, o bazar proporcionou a oportunidade de renovar o guarda-roupa e, ao mesmo tempo, contribuir com uma causa social. Entre as primeiras participantes estava a copeira Gonçalina Domingos de Lara, que aproveitou a oportunidade para comprar roupas para as três filhas. Animada com a variedade de produtos e os valores praticados, ela comemorou a iniciativa. “É a primeira vez que participo e estou amando os preços. Tenho três filhas moças e estou levando um monte de coisas para elas. Hoje vou encher a sacola”, contou, sorridente.
A auxiliar de limpeza Flávia Aparecida também aprovou o bazar. Além de destacar os preços acessíveis, ela ressaltou a importância de ajudar pessoas que enfrentam situações de violência. “Está maravilhoso, tudo muito em conta. Já fiz minhas compras e ainda vou procurar mais. Recomendo muito. E saber que estamos ajudando mulheres e crianças que precisam de apoio torna essa iniciativa ainda melhor”, afirmou.
Solidariedade que ultrapassa o bazar
A mobilização superou as expectativas dos organizadores. Segundo Luciana Tolovi, a participação de magistrados, servidores, terceirizados e demais colaboradores foi tão expressiva que permitiu ampliar o alcance social do projeto, beneficiando outras instituições que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade.
As peças recebidas passaram por uma curadoria para selecionar os itens destinados à comercialização. As roupas em boas condições de uso que não foram selecionadas para o bazar foram encaminhadas às instituições parceiras, garantindo que as doações alcançassem um número ainda maior de pessoas.
“Tivemos uma adesão muito bonita, que chega a emocionar. Todos colaboraram, trazendo roupas e acessórios. Arrecadamos tantas peças que, após a seleção para o bazar, conseguimos destinar boa parte das roupas à Pastoral do Imigrante, em Cuiabá, e à Justiça Comunitária de Várzea Grande, que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade”, relatou a gestora.
A escolha da ONG Lírios como beneficiária está diretamente relacionada à necessidade de fortalecer a rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar. A instituição desenvolve iniciativas nas áreas de educação, saúde, inclusão social, prevenção da violência e promoção da autonomia econômica e social de mulheres e meninas.
close-up de uma mulher com óculos de aro marrom e brinco de pérola. Ela veste uma blusa rosa claro. O fundo está embaçado e mostra araras de roupas e um microfone na parte inferior.A diretora administrativa da ONG Lírios, Eliodete Dias Dourado, acompanhou a iniciativa e destacou a importância dos recursos para a continuidade e ampliação dos atendimentos. Segundo ela, a instituição depende, em grande parte, do trabalho voluntário e de recursos obtidos por meio de projetos e editais.
“Recebemos essa iniciativa com muita gratidão. Somos uma instituição que vive, em grande parte, do voluntariado e de pequenos fomentos. Quando fomos procurados para receber esse benefício, ficamos muito felizes, porque temos uma necessidade muito grande. Esse recurso vai nos ajudar a adequar nossa estrutura, tanto física, quanto de pessoal”, afirmou.
Eliodete também chamou a atenção para o crescimento da demanda por acolhimento e assistência às vítimas de violência. “Quando criamos a organização, imaginávamos que, em cinco anos, a violência poderia diminuir a ponto de não precisarmos mais desse trabalho. Infelizmente, aconteceu o contrário. A demanda aumentou, nossa estrutura cresceu, mas ainda não é suficiente para atender todas as necessidades”, lamentou.
Homens vestindo camisetas verdes de manga longa e boné manuseiam pilhas de roupas dobradas em mesas. Uma mulher de camiseta verde está ao fundo à direita, também mexendo em roupas em prateleiras de metal cinza. O ambiente é amplo e claro.Sustentabilidade e consumo consciente
Além do caráter beneficente, o Armário Solidário reforça o compromisso do Judiciário mato-grossense com a sustentabilidade. Ao estimular a reutilização de roupas, calçados e acessórios, o projeto contribui para prolongar a vida útil dos produtos, reduzir o descarte de resíduos têxteis e incentivar práticas de consumo mais responsáveis.
A iniciativa também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente os relacionados à igualdade de gênero, à redução das desigualdades e ao consumo e produção responsáveis.

Fonte: TJMT

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