O prefeito Abílio Brunini (PL) parece ter descoberto, da pior forma, que política se faz com resultados — não com provocações. Após meses insistindo em criar animosidade pública com o senador Jayme Campos (UNIÃO), Abílio recebeu uma resposta que não veio em notas, vídeos ou bravatas, mas em números: mais de R$ 9 milhões em emendas parlamentares já foram depositados na conta da Prefeitura de Cuiabá, destinados a obras e ações concretas nos bairros da capital.
O gesto do senador, executado sem alarde, desarma publicamente a narrativa de confronto mantida pelo prefeito. Enquanto Abílio investia em críticas públicas, atribuindo a Campos suposto abandono à cidade, o parlamentar priorizou a destinação de recursos, canalizando verbas federais para demandas reais da população.
A movimentação financeira, confirmada pela Secretaria Municipal de Finanças, não só desautoriza o discurso do prefeito, como expõe um ponto cego de sua estratégia: transformar aliados potenciais em inimigos imaginários. Jayme Campos fez política à moda antiga — respeitando adversários, priorizando a população e deixando claro que não responde a ataques com ressentimento, mas com trabalho.
O contraste que cala
Enquanto a prefeitura reiterava, em notas oficiais, um suposto isolamento político de Cuiabá em Brasília, Campos articulava a liberação de recursos. Os valores, já em conta, devem ser aplicados em infraestrutura urbana, saúde e assistência social. O timing do repasse, após meses de tensão verbal, foi interpretado nos círculos políticos como uma demonstração prática de quem efetivamente entrega à população.
O resultado é devastador para o enredo construído por Abílio: na mesma semana em que o prefeito reacendia críticas sobre “heranças malditas” e “abandono”, o senador concretizava o repasse, calava a retórica inflamada e desmoralizava a tese de isolamento que o próprio gestor tentava vender.
Repercussão e silêncio
Procurada, a assessoria do prefeito limitou-se a confirmar o recebimento dos recursos e afirmar que “todas as emendas são bem-vindas”. Não houve menção ao senador. Já aliados de Campos, sob condição de anonimato, avaliaram que a atitude foi “aula de maturidade política” e que “enquanto alguns brincam de guerra, outros fazem o dever de casa”.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o episódio revela uma fratura na comunicação da gestão. “Abílio apostou no conflito como ferramenta de mobilização, mas esqueceu que, no fim do dia, o eleitor cobra pontes, não trincheiras”, analisa o cientista político Leonardo Moreira. “Jayme, ao ignorar o ruído e focar no resultado, mostra que, em tempos de recursos escassos, ação fala mais alto que discurso.”
Os R$ 9 milhões agora aterrissam no caixa da cidade como um lembrete incômodo: enquanto a prefeitura falava em cerco, o senador abria caminho. A pergunta que fica é se Abílio Brunini conseguirá recalibrar sua estratégia — ou se insistirá em um confronto que, pelos números, já parece ter perdido.

















