Em meio a marketing triunfalista, reforma de “maior hospital infantil” em Cuiabá se revela intervenção pontual e herdada
O prefeito Abílio Brunini (PL) tem vendido à população a imagem da construção do “maior hospital infantil do Brasil” em Cuiabá. No entanto, por trás do discurso grandioso, a realidade da reforma em andamento no antigo Pronto-Socorro Municipal é bem menos épica: a intervenção se restringe a apenas 900 metros quadrados, uma pequena fração dos 11 mil m² de área construída do imóvel, e foi iniciada ainda na gestão passada.
As informações, obtidas a partir de dados técnicos do projeto, mostram que a obra em curso é pontual e inclui, por exemplo, a área de recepção. A iniciativa não se caracteriza como a grande reestruturação hospitalar anunciada pela propaganda oficial, que omite a escala limitada da intervenção e seu caráter de continuidade.
O contraste entre o marketing e a concretude da obra simboliza a trajetória da administração Brunini, que se aproxima do final do ano sem apresentar ao público nenhuma obra de grande relevância iniciada e concluída sob seu comando. O discurso triunfalista soa, assim, como uma tentativa de maquiar a ausência de entregas concretas.
Gestão à deriva, refém das redes sociais
Politicamente, analistas avaliam que Abílio Brunini parece à deriva, sem um planejamento urbano claro e cada vez mais refém de sua própria persona digital. A percepção que se consolida entre a população é a de um gestor mais preocupado com o desempenho de suas publicações no Instagram do que com a eficiência do atendimento na saúde pública.
Seus anúncios, marcados por promessas consideradas fantasiosas por adversários e parte da opinião pública, e suas reações descontroladas a críticas transformaram a Prefeitura em um palco de improvisos, onde a comunicação virtual supera a ação administrativa.
Se o presente já é marcado por desordem e superficialidade nas políticas públicas, o futuro de Cuiabá sob o comando de Brunini inspira crescente pessimismo. O temor é que a cidade continue a ser administrada não por projetos de longo prazo, mas pela lógica da vaidade imediata, de quem confunde a gestão de uma rede social com a gestão de uma cidade.

Prefeitura- Boletim de Cadastro Imobiliário




















