Se confirmadas, as acusações podem configurar crimes como falsidade ideológica, improbidade administrativa e desvio de recursos públicos

Fraude em atendimentos na saúde de Cuiabá: ex-servidora denuncia esquema na região do Sucuri com suposta anuência da gestão municipal

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Uma ex-funcionária da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, que pediu anonimato por temer represálias, denuncia a existência de um suposto esquema de fraude nos registros de atendimentos na região do Sucuri. Segundo ela, profissionais de saúde estariam lançando atendimentos fictícios no sistema oficial para inflar os dados e justificar a permanência de duas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) na localidade — algo que, de acordo com a denunciante, não encontra respaldo na realidade populacional da área.

“A população da região do Sucuri não passa de 3.000 pessoas. Basta cruzar os dados com o sistema do Ministério da Saúde e do IBGE para perceber que os números não batem. Estão criando atendimentos que nunca aconteceram”, afirmou a ex-servidora.

Ainda segundo o relato, o esquema contaria com a anuência — e possivelmente o envolvimento direto — da atual gestão municipal. Os dados fictícios serviriam para burlar os critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, que vinculam a alocação de equipes à densidade populacional e à demanda real por serviços de saúde.

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“Não há justificativa técnica ou legal para manter duas equipes fixas naquela região, enquanto outras unidades da cidade enfrentam escassez de profissionais”, completou.

Se confirmadas, as acusações podem configurar crimes como falsidade ideológica, improbidade administrativa e desvio de recursos públicos, além de comprometer a qualidade da gestão do SUS no município.

Falta de profissionais em outras regiões

Enquanto a região do Sucuri contaria com duas equipes completas da ESF com base em dados potencialmente fraudados, outras unidades de saúde em bairros periféricos de Cuiabá relatam falta de médicos, enfermeiros e agentes comunitários. A distorção na distribuição de recursos humanos, segundo especialistas, pode ter impacto direto na equidade e eficiência do atendimento básico no município.

Ministério Público e órgãos de controle são acionados

A denunciante afirma ter encaminhado as informações ao Ministério Público Estadual, ao Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) e à Ouvidoria Nacional do SUS, solicitando auditoria imediata nos registros da ESF na região do Sucuri.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, mas até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação da gestão municipal.

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