A Justiça começa onde as pessoas vivem

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No balcão
do fórum, a Justiça perde a abstração. Quem chega não pergunta por rankings.
Quer saber se a audiência ocorrerá, se a urgência foi examinada ou por que o
processo parou. Antes da decisão, o atendimento forma a imagem do Judiciário.

A
administração central acompanha dados indispensáveis sobre processos, prazos,
estrutura e orçamento. O primeiro grau mostra o que eles não alcançam. A falta
de um servidor pesa de modo diverso conforme o tamanho da unidade, as
distâncias e as demandas locais.

Instituições
extensas correm o risco de confundir igualdade com uniformidade. Comarcas
semelhantes podem enfrentar condições distintas. Oferecer-lhes recursos e
soluções idênticos parece objetivo, mas pode conservar desigualdades. A
equidade exige reconhecer as diferenças e responder a elas com critérios
claros.

Mato Grosso
torna isso visível. Suas 79 comarcas se distribuem por um território extenso e
diverso. Em algumas regiões, o serviço digital evita deslocamentos. Onde faltam
conexão ou domínio das ferramentas, o apoio presencial continua indispensável.
A solução que aproxima algumas pessoas pode deixar outras à margem.

A
Administração Presente responde a essa realidade. Decisões da sede precisam ser
examinadas onde produzirão efeitos. O contato com magistrados, servidores,
advocacia e cidadãos revela problemas que, de longe, parecem simples ou sequer
aparecem. A visita adquire sentido quando a escuta orienta providências.

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Novas
demandas sem reforço da capacidade exigem reavaliar recursos. Quando o
obstáculo está no fluxo interno, cobrar mais produtividade pode agravá-lo. Às
vezes, a tecnologia oferece a resposta. Em outras situações, falta alguém
preparado para orientar quem não conseguiu acessar o serviço.

Os
indicadores continuam essenciais. Reduzir o congestionamento diminui a espera
de quem depende do processo. Produtividade deve representar decisões
consistentes em tempo útil. Os dados cumprem sua finalidade quando ajudam a
revelar o que precisa mudar para quem procura a Justiça.

Antes da
sentença, a qualidade já está sendo percebida. Informação difícil de localizar,
prédio inacessível ou descuido com quem chega fragilizado também definem o
serviço. A pessoa precisa compreender o que pode ser feito, o que depende de
decisão e quanto poderá esperar. O julgamento correto é indispensável; durante
a espera, clareza e cuidado evitam desorientação.

Na
Presidência, confirmamos que o primeiro grau é onde decisões concebidas na
capital encontram a realidade. Se uma política funciona na sede e tropeça nas
comarcas, a administração precisa rever o que planejou.

Administrar
um tribunal exige perceber a distância entre o serviço organizado e o que chega
ao cidadão. Ela aparece no fórum: numa orientação incompreendida, numa
providência tardia, numa resposta que perdeu parte da utilidade. Os relatórios
ajudam a medi-la. A experiência de quem procurou a Justiça revela o que ainda
precisa ser corrigido.

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Fonte: TJMT

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