POR ELAS E POR NÓS

por LUCIENE OLIVEIRA
quinta-feira, 15 de outubro de 2026, 08h52
A Refrigerantes Marajá abriu as portas para o projeto “Por Elas e Por Nós: diálogo masculino pelo fim da violência contra a mulher”, desenvolvido pelo Núcleo das Promotorias de Justiça de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar – Espaço Caliandra, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT).
Na última sexta-feira (9/10), a diretora-geral da empresa, Ulana Bruehmueller, recebeu a equipe do projeto, coordenado pela promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, para uma conversa com funcionários dos setores de produção e administrativo da unidade, localizada em Várzea Grande.
Durante o encontro, Ulana agradeceu a presença da equipe e compartilhou a emoção que sentiu ao ver as fotografias de vítimas de feminicídio em Mato Grosso durante a exposição do projeto MP por Elas, realizada no Shopping Pantanal.
“É impossível a gente ver uma cena dessas e não se emocionar. Havia meninas de 16 anos e casos de mulheres com mais de 70 anos. São situações sobre as quais nós, enquanto sociedade, precisamos refletir e fazer a nossa parte. Não podemos nos omitir quando for necessário chamar a polícia e pedir ajuda, assim como oferecer escuta e orientação. Por isso, agradeço muito a participação do projeto, que nos foi bastante útil”, afirmou.
Com a participação de mulheres e homens de diferentes faixas etárias, a palestra abordou temas como o cuidado com as emoções e a saúde física, a construção de masculinidades saudáveis, as diferentes formas de violência contra a mulher e suas consequências nas esferas criminal e profissional.
A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra destacou a responsabilidade coletiva na prevenção e no enfrentamento da violência. Ela orientou os participantes sobre como agir diante de situações de risco, sem colocar a própria segurança em perigo.
“Muitas vezes, estamos diante de uma emergência, em que o crime está acontecendo naquele momento. Não podemos ser omissos. Nossa orientação é chamar a polícia. Não pedimos que as pessoas se envolvam diretamente, porque, muitas vezes, o indivíduo está armado e não queremos que ninguém se coloque em risco. Existem canais de denúncia e telefones de emergência, como o 190, da Polícia Militar”, orientou.
Para a promotora, a aproximação com as empresas tem ampliado as oportunidades de diálogo e conscientização dos homens. Segundo ela, a prevenção exige o envolvimento de toda a sociedade, com atenção especial ao público masculino.
“Precisamos falar com os homens, promover o diálogo e trabalhar a conscientização masculina. As mulheres já são um público com o qual atuamos há muito tempo. Agora, precisamos ampliar esse diálogo com os homens, para que eles também compreendam seu papel na prevenção e no enfrentamento da violência contra a mulher”, ressaltou.
Conduzida pela equipe técnica do Espaço Caliandra, das áreas de psicologia e assistência social, a palestra também chamou a atenção para o fato de que a violência contra a mulher não se resume ao feminicídio. Ameaças, lesões corporais, vias de fato e violências psicológica e patrimonial também fazem parte dessa realidade e exigem respostas efetivas.
“Não adianta atuarmos apenas nos processos, depois que o crime aconteceu, realizando audiências, apresentando manifestações e aguardando uma decisão judicial. Isso, por si só, não resolve o problema”, afirmou a promotora.
O trabalho do Espaço Caliandra também se concentra na prevenção, por meio de ações nas escolas e de parcerias com instituições da rede de enfrentamento à violência. As iniciativas buscam conscientizar crianças, adolescentes, mulheres e homens sobre o tema.
Nesse contexto, o projeto “Por Elas e Por Nós” amplia a atuação do Ministério Público junto ao setor empresarial, levando informações e promovendo reflexões sobre comportamentos, responsabilidade e masculinidade, com o objetivo de contribuir para a construção de relações mais respeitosas e para o enfrentamento da violência contra a mulher.
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