NORTE DE MATO GROSSO

Mato Grosso está entre os estados brasileiros com mais pontos ilegais de garimpo, vários em terras indígenas

publicidade

Uma nota técnica divulgada pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) nesta sexta-feira, 26, revelou uma situação alarmante: há 80.180 pontos de garimpo na Amazônia brasileira, ocupando uma área total de 241 mil hectares – mais de duas vezes o tamanho da cidade de Belém, capital do Pará.

As regiões mais atingidas por essa prática ilegal concentram-se no noroeste de Roraima, sudoeste e sudeste do Pará, norte de Mato Grosso e Rondônia, além de algumas áreas nos estados do Amazonas, Amapá e Maranhão.

Para os povos indígenas, a situação é ainda mais grave. Aproximadamente 10,5% da área total de garimpo, equivalente a 25 mil hectares, está localizada em 17 terras indígenas diretamente invadidas. Além disso, outras 122 terras estão em bacias hidrográficas garimpadas, totalizando ao menos 139 territórios e seus rios contaminados pela atividade.

O crescimento do garimpo na Amazônia é alarmante. Enquanto a área de garimpo aumentou 12 vezes na região, nas terras indígenas esse aumento foi ainda mais expressivo, chegando a 16 vezes desde 1985, passando de 1.510 hectares para 25.070 hectares em 2022.

Leia Também:  Guerra política em Mato Grosso: Virgínia Mendes ataca deputada Janaína Riva e família em rede social

O impacto ambiental do garimpo vai além da área diretamente afetada pela atividade. Os poluentes contaminam rios, solos, fauna e flora, afetando a saúde dos povos indígenas da região.

As terras indígenas mais invadidas são Kayapó, Munduruku e Yanomami. O território Kayapó, habitado por povos Mebêngôkre e isolados às margens do rio Xingu, no Pará, tem 55% de toda a área garimpada em terras indígenas na região. Juntas, essas três terras concentram 90% da área indígena invadida por garimpos.

O Estado tem falhado em garantir a integridade desses territórios, e sua população é constantemente afetada por atividades econômicas, muitas vezes ilegais.

Em nota, o IPAM classifica a situação como “alarmante” e atribui parte desse cenário à flexibilização legal observada no último ciclo legislativo. O estudo destaca a necessidade urgente de garantir a desintrusão desses espaços e de assegurar uma legislação mais rígida para casos de mineração em terras indígenas.

“Há uma disputa legal para regulamentar a atividade minerária. De um lado, mecanismos legais que buscam garantir a segurança socioambiental; do outro, tentativas de afrouxar e até desrespeitar os direitos indígenas fundamentais”, afirma Martha Fellows, coordenadora do núcleo de estudos indígenas do IPAM e autora do estudo.

Leia Também:  Prêmio Band Cidades Excelentes: Cuiabá recebe três prêmios pelas ações na educação, infraestrutura e sustentabilidade

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide