O caos na saúde do estado de Mato Grosso é uma realidade incontestável, com graves consequências para a população em geral. Um exemplo preocupante desse cenário se manifestou nesta quarta-feira (01), com o fechamento das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatal e pediátrica no Hospital Regional de Colíder, localizado a 648 km de Cuiabá. Esse desfecho sombrio é resultado do encerramento dos serviços prestados pela Organização Goiana de Terapia Intensiva (OGTI).
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) alega que os pacientes das UTIs afetadas foram transferidos para locais que supostamente atendem às necessidades dos seus quadros clínicos. No entanto, a desativação dessas unidades representa um sério revés para a capacidade de atendimento médico, com graves implicações para a saúde e o bem-estar dos pacientes.
A OGTI, responsável pelos serviços nas UTIs, afirma ter tentado reajustar os valores do contrato com a SES desde setembro, mas não obteve resposta, o que culminou na decisão de encerrar suas atividades. Esse desentendimento é um reflexo do desgaste das relações entre o setor privado e o público na prestação de serviços de saúde no estado.
O Hospital Regional de Colíder teve que lidar com a delicada tarefa de realocar os pacientes das UTIs desativadas, e embora dois deles já tenham sido transferidos e um deles tenha recebido alta, a incerteza paira sobre o destino dos novos pacientes que, inevitavelmente, também precisarão de cuidados intensivos.
É importante ressaltar que os problemas na saúde pública no interior não é exclusividade de Colíder, mas uma situação que permeia todo o estado de Mato Grosso. No entanto, o que torna essa situação ainda mais desesperadora é que somente a cidade de Cuiabá foi penalizada com uma intervenção estadual, enquanto o restante do estado parece continuar à deriva, incapaz de cumprir suas responsabilidades no setor de saúde.
A SES assegura que está em andamento o processo de contratação de uma nova empresa para assumir as responsabilidades das UTIs neonatal e pediátrica, mas essa transição não resolve o problema mais amplo da precariedade da saúde pública em todo o estado de Mato Grosso. O desafio persistente de fornecer assistência médica de qualidade e adequada é uma questão que deve ser abordada de maneira abrangente, com investimentos e planejamento apropriados para garantir o bem-estar de todos os cidadãos, independentemente de sua localização no estado.






















