A intervenção estadual na saúde de Cuiabá prometia melhorar a situação dos pacientes, mas, na prática, a realidade parece ser outra. Em matéria veiculada hoje (16) na TV Centro América, pacientes portadores de hipertensão arterial pulmonar denunciam a dificuldade para realizar o exame de cateterismo cardíaco na rede pública, um procedimento crucial para receber os medicamentos necessários ao tratamento da doença.
Sebastiana Pereira da Silva, portadora da condição, compartilhou suas frustrações quanto à burocracia enfrentada para realizar o cateterismo. “A minha dificuldade maior hoje é para fazer o cateterismo. Porque é um empurra, empurra, não tem código. Já tenho três anos que estou esperando o exame,” relatou Sebastiana. Ela descreveu uma situação angustiante em que, após aguardar um ano pelo procedimento, foi informada no último momento que não seria possível realizá-lo devido a um erro no código.
O cateterismo cardíaco direito não é apenas um procedimento rotineiro, mas uma exigência para obter acesso gratuito aos medicamentos essenciais. O cardiologista Carlos Carretoni explicou a importância do procedimento, destacando que é crucial para monitorar o quadro de saúde do paciente e garantir a eficácia do tratamento, especialmente considerando o alto custo dos medicamentos disponibilizados pelo SUS.
Jaqueline Lisboa Rodrigues, outra paciente que enfrenta a mesma batalha, ressaltou a exigência do cateterismo para acessar os medicamentos na farmácia de alto custo. “É uma exigência, um protocolo que a farmácia de alto custo do estado pede, só que os pacientes não estão conseguindo,” disse Jaqueline. Ela passou quase 10 anos dependendo de medicamentos controlados e alertou sobre a rapidez com que a situação se agrava sem acesso regular aos tratamentos.
A demora na realização do exame tem consequências sérias, como demonstrado no caso de Jaqueline, que precisou ser internada antes que o procedimento fosse finalmente autorizado, após 20 dias de internação. O sistema público de saúde possui os recursos, mas as falhas nos encaminhamentos fazem com que muitos pacientes aguardem anos para o cateterismo, uma espera incompatível com a urgência da doença.
Os relatos dos pacientes revelam uma realidade preocupante. A falta de empatia, a burocracia e a morosidade nos procedimentos comprometem o tratamento desses pacientes. O sentimento de revolta e a dor causada pela espera injustificada são compartilhados por muitos que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).
Diante disso, vem o questionamento: onde está a efetividade da intervenção estadual na saúde de Cuiabá? As promessas de melhoria não estão se refletindo na realidade dos pacientes, que continuam a sofrer com a negligência e a morosidade do sistema de saúde público. A vida dessas pessoas não pode ser reduzida a números mascarados; é urgente uma revisão efetiva nas políticas de saúde para garantir o acesso rápido e eficiente a procedimentos vitais como o cateterismo cardíaco direito.





















