Mato Grosso é o estado brasileiro com a maior taxa de recusa familiar à doação de órgãos de pacientes falecidos, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). No ano passado, 78% das famílias entrevistadas no estado negaram a autorização para o procedimento. A realidade é preocupante, especialmente quando comparada a outros estados com condições semelhantes ou até mesmo com menor orçamento, como Ceará e Pará, que têm investido mais na área de transplantes.
Em 2023, Mato Grosso notificou 85 casos potenciais em que os pacientes poderiam ser doadores. No entanto, de 54 entrevistas realizadas com as famílias, 42 resultaram em negativas para o transplante. A alta taxa de recusa é apenas um dos problemas que o estado enfrenta no que diz respeito à doação de órgãos.
Mesmo quando as famílias autorizam a doação, muitos procedimentos não são concretizados devido às dificuldades de captação e transporte de órgãos, atribuídas à insuficiente infraestrutura da rede estadual de saúde. Isso inclui a falta de equipamentos adequados e a logística necessária para que os órgãos cheguem rapidamente a quem precisa, tanto dentro quanto fora do estado.
A situação é agravada pelo número crescente de pacientes que aguardam transplantes em Mato Grosso. Atualmente, cerca de 1.300 pessoas estão na fila por um órgão. As barreiras logísticas para a remoção de órgãos de Mato Grosso para outros centros dificultam ainda mais a realização dos transplantes.
A falta de investimentos adequados em campanhas de conscientização pública sobre a importância da doação de órgãos também contribui para as altas taxas de recusa. A ausência de um esforço consistente para educar a população sobre o tema evidencia a falta de prioridade que o estado dá à questão.
Essa conjuntura de infraestrutura deficiente, falta de conscientização e altas taxas de recusa familiar coloca Mato Grosso em uma posição desafiadora na área de transplantes de órgãos. À necessidade de investimentos e políticas eficazes que possam reverter este cenário e proporcionar uma esperança real para os pacientes que aguardam na fila por uma segunda chance de vida.



















