Na manhã desta quarta-feira (13), mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Mato Grosso se mobilizaram na sede da Assembleia Legislativa do Estado (ALMT) para denunciar a violência do agronegócio e os projetos de lei que, segundo elas, ameaçam territórios, corpos e a natureza.
A manifestação faz parte de uma agenda nacional de lutas das mulheres camponesas, que reivindicam o direito à terra e à vida, além de protestarem contra o avanço de políticas que fragilizam a proteção ambiental e ampliam a utilização de agrotóxicos. “Seguimos firmes contra a destruição dos nossos biomas, contra os agrotóxicos e pelo direito à vida e à terra!”, destacaram as manifestantes em ato público.
Retrocesso ambiental em Mato Grosso
O estado de Mato Grosso tem sido palco de sucessivos retrocessos ambientais nos últimos anos. Projetos de lei que flexibilizam o licenciamento ambiental, a liberação recorde de agrotóxicos e o avanço desenfreado do desmatamento estão entre os principais fatores que preocupam ambientalistas e movimentos sociais.
Em 2023, por exemplo, Mato Grosso liderou o ranking de estados com maior área de floresta desmatada na Amazônia Legal, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Além disso, a Assembleia Legislativa aprovou leis que facilitaram a conversão de áreas de vegetação nativa em pastagens e lavouras, reduzindo a fiscalização e ampliando a grilagem de terras.

Outro ponto crítico é a liberação acelerada de agrotóxicos. Dados do Ministério da Agricultura mostram que Mato Grosso está entre os estados que mais utilizam esses produtos no país, colocando em risco a biodiversidade e a saúde das populações do campo e da cidade.
A mobilização das mulheres Sem Terra na ALMT reforça a resistência contra essas políticas e a defesa de um modelo de produção agroecológico e sustentável. O movimento exige que os parlamentares estaduais assumam compromissos concretos na proteção dos territórios e dos direitos das populações do campo.
Oposição e disputa política
A pauta ambiental tem gerado forte embate entre setores ligados ao agronegócio e movimentos sociais. Enquanto ruralistas argumentam que a produção agropecuária é essencial para a economia estadual, ativistas denunciam que esse desenvolvimento ocorre à custa da destruição ambiental e da precarização de comunidades tradicionais e camponesas.
O protesto desta quarta-feira evidencia essa disputa e reforça a necessidade de um debate mais amplo sobre os impactos socioambientais do atual modelo de desenvolvimento adotado em Mato Grosso.






















