Operação Sem Desconto cumpriu dois mandados de prisão; empresário Maurício Camisotti e intermediário conhecido como "Careca do INSS" foram detidos. Para a PF, grupo movimentou quase R$ 54 milhões em desvios

CPMI do INSS: governador Mauro Mendes é citado em esquema de fraude durante depoimento; pivô é preso pela PF

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A Polícia Federal (PF) prendeu nesta sexta-feira (12.09) o empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos pivôs do esquema de fraudes em consignados do INSS, na mais recente fase da Operação Sem Desconto. Também foi detido Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, considerado pela PF um intermediário crucial do esquema, que teria movimentado R$ 53,5 milhões em recursos desviados de aposentados e pensionistas.

A prisão ocorre em um momento sensível, logo após as declarações do advogado e delator Eli Cohenna CPMI do INSS. Em seu depoimento, Cohen citou nominalmente o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), e o ex-senador Cidinho Santos como pessoas que teriam proximidade com o grupo THG, ligado a Camisotti. Como prova da relação, o advogado mencionou a presença de ambos os políticos em uma festa em Santa Catarina com integrantes do grupo.

Procurado, Cidinho Santos negou conhecer Camisotti. Afirmou que esteve no evento a convite do ex-deputado Antônio Luz, de quem se disse amigo pessoal. O governo de MT não se manifestou imediatamente sobre as citações.

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Convênios estaduais e a sombra da fraude

A investigação revela que o esquema não se limitava ao INSS. Reportagem anterior mostrou que a irmã de Camisotti, Marisa Camisotti, foi representante da Ordem Brasileira de Assistência ao Servidor Público (OBASP), entidade que tinha um convênio com o governo de Mato Grosso – então sob gestão de Mauro Mendes – para descontos em folha de pagamento de servidores estaduais.

O convênio foi firmado em 2020. A PF sustenta que Camisotti usava parentes e “laranjas” para controlar entidades e operar descontos irregulares. Mesmo após o falecimento de Marisa em dezembro de 2021, o governo manteve e renovou o convênio com a OBASP em 2021 e 2022. O último acordo teve validade até 2023 e foi sempre assinado pelo secretário de Planejamento e Gestão (Seplag), Basílio Bezerra Guimarães dos Santos.

A OBASP foi alvo de ações judiciais de servidores que alegavam descontos não autorizados. Um caso é do terceiro sargento da PM O.C.C., que processou a entidade em 2022 após descobrir descontos de R$ 74,70 mensais em seu holerite, sem autorização.

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O esquema e a defesa

De acordo com a PF, o “Careca do INSS” atuava como operador, recebendo os recursos debitados indevidamente das vítimas e repassando parte deles a servidores corruptos do INSS e a empresas ligadas a eles. Camisotti é investigado como um dos beneficiários finais dessa estrutura.

A defesa de Camisotti classificou a prisão como “arbitrária” e informou que não há motivos para a medida cautelar. Os advogados afirmaram que irão adotar as medidas legais para reverter a prisão do empresário, que nega as acusações.

A operação desta sexta-feira é mais um desdobramento do amplo escândalo que investiga a “farra do INSS”, expondo supostas conexões entre investigados e a cúpula do poder político de Mato Grosso.

 

Fonte: PNBONLINE

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