Taques levanta suspeitas sobre venda de terreno e gastos no Parque Novo MT
O ex-governador e ex-senador Pedro Taques (PSB) levantou graves suspeitas contra o promotor de Justiça Mauro Zaque e cobrou esclarecimentos sobre a aplicação de recursos públicos nas obras do Parque Novo Mato Grosso, em entrevista ao VGN No Ar, apresentado pelo jornalista Geraldo Araújo, na manhã de segunda-feira (23.12).
Durante a entrevista, Taques afirmou que um terreno, supostamente pertencente ao promotor teria sido vendido ao Estado por valor superior ao de mercado. Segundo ele, a área foi avaliada inicialmente em R$ 6 milhões, mas negociada por R$ 12 milhões – o dobro do valor estimado. “Um terreno avaliado em R$ 6 milhões foi vendido por R$ 12 milhões ao Estado. Ele precisa explicar isso”, declarou.
O ex-senador também questionou a origem do mármore utilizado nas obras do parque, empreendimento estimado em cerca de R$ 2 bilhões. Taques levantou a possibilidade de o material ter sido adquirido em estabelecimento ligado a familiar do promotor. “O parque gasta R$ 2 bilhões e ninguém sabe como esse dinheiro está sendo aplicado. Onde o mármore foi comprado? Foi na loja do irmão do promotor Mauro Zaque? Eu preciso saber”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a comprovação da informação, Taques admitiu não ter certeza sobre a venda do mármore, mas garantiu saber da existência do estabelecimento. “Eu não sei, eu quero saber. Como cidadão. O irmão do promotor tem sim uma loja que vende mármore. Eu quero saber”, disse.
Taques ressaltou que fala na condição de cidadão e cobrou atuação do Ministério Público na fiscalização do empreendimento. “Eu sou cidadão e tenho direito de saber. Por que o promotor do patrimônio não investiga? Está investigando? É sigiloso? Eu não sei”, questionou.
Questionamentos sobre segurança
O ex-governador também criticou a falta de transparência na fiscalização das estruturas do parque e citou o episódio envolvendo a queda parcial da cobertura de uma arquibancada durante um treino da Stock Car no local. Ele questionou se houve autorização regular para funcionamento. “Quando caiu parte da cobertura de uma arquibancada durante um treino das equipes da Stock Car, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), deu o alvará para o funcionamento?”, indagou.
Taques relembrou ainda a queda de uma arquibancada no Feicovag, em Várzea Grande, que resultou em responsabilização judicial, estabelecendo um paralelo entre os casos. “Vocês lembram quando caiu a arquibancada aqui do Feicovag, em Várzea Grande? José Carlos de Freitas foi processado. O Corpo de Bombeiros autorizou? Eu quero saber isso. Sabe o que parece? Parece que Mato Grosso tem dono”, afirmou.
O ex-governador direcionou críticas ao atual governador Mauro Mendes (União Brasil) e afirmou que a administração estadual deve prestar contas à sociedade. “Mato Grosso não tem dono. Mauro Mendes não é dono do Estado, ele é governador. Ele deve satisfação e explicação, e eu, como cidadão, vou cobrar essas explicações”, finalizou.
Outro lado –
O promotor de Justiça Mauro Zaque rebateu as insinuações feitas pelo ex-governador Pedro Taques (PSB) sobre a venda de um terreno ao Estado de Mato Grosso e sobre suposto fornecimento de mármore para o Parque Novo Mato Grosso. Em nota, Zaque negou ter vendido imóvel de sua propriedade e afirmou que o negócio foi realizado por empresa de sua esposa.
“Eu não vendi nenhum imóvel de minha propriedade ao Estado. O referido imóvel era da empresa da minha esposa que, ela própria, foi procurada pelos servidores da Seduc que precisavam alocar duas escolas com urgência”, declarou o promotor.
Zaque contestou também a alegação de superfaturamento na transação. Segundo ele, o valor da venda ficou abaixo tanto da avaliação privada quanto da avaliação oficial do Estado. “O valor da venda ficou bem abaixo da avaliação privada e bem abaixo da avaliação oficial do Estado, não havendo, pois, qualquer dúvida quanto a essa aquisição”, afirmou.
Quanto às insinuações sobre compra de mármore para as obras do Parque Novo Mato Grosso, o promotor negou categoricamente qualquer envolvimento de seu irmão. “Com relação à compra de mármore, não posso afirmar se existe qualquer investigação no âmbito do MP. Posso afirmar que o meu irmão não vendeu nenhum mármore para o tal parque ou para qualquer órgão do Estado”, declarou Zaque.
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