O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) emergiu como um dos principais financiadores do Instituto Social Matogrossense (ISMAT), entidade que está no epicentro de duas grandes investigações policiais em Mato Grosso: a Operação Emenda Oculta e a Operação Gorjeta. Relatórios de transparência do Estado revelam que, entre 2024 e 2025, o parlamentar destinou exatamente R$ 6.347.799,94 via emendas parlamentares para a instituição.
A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) por meio do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) e do Gaeco, além da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos. A suspeita é de que emendas parlamentares eram direcionadas a institutos sem fins lucrativos e, posteriormente, pulverizadas em empresas de fachada ou utilizadas para enriquecimento ilícito de agentes políticos.
Escalada nos repasses e coincidências suspeitas
Os dados financeiros detalham uma progressão significativa nos aportes realizados por Guimarães ao ISMAT:
•Em 2024: Foram destinados R$ 3.850.000,00.
•Em 2025: O montante liberado foi de R$ 2.497.799,94.
Além do volume financeiro, as autoridades chamam a atenção para a estrutura operacional das entidades envolvidas. O Instituto Social Matogrossense, presidido por Camila Piacenti Boabaid, compartilha o mesmo endereço físico com o Instituto Brasil Central (IBRACE), liderado por Alex Jony Silva, no bairro Morada do Ouro II, em Cuiabá. Ambas as instituições são alvos das diligências judiciais.
Alvos políticos e apreensões
A gravidade das suspeitas resultou em mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário. Na última quinta-feira (30), a Operação Emenda Oculta cumpriu diligências na residência do deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) e de seu irmão, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União). Durante as ações, foram apreendidos cerca de R$ 200 mil em espécie, além de celulares, notebooks e documentos que agora passam por perícia.
Embora as emendas de Diego Guimarães não tenham sido o foco inicial da Operação Gorjeta, o fato de o ISMAT ser o destinatário de mais de R$ 6,3 milhões de seu gabinete coloca o parlamentar sob o “holofote” do escrutínio público e jurídico. A investigação busca esclarecer se a aplicação desses valores cumpriu a finalidade social proposta ou se serviu como engrenagem de uma corrupção sistêmica.
O que dizem os envolvidos
Em nota, a assessoria do vereador Cezinha Nascimento afirmou que o parlamentar colaborou integralmente com os investigadores e que aguarda acesso aos autos, que tramitam sob sigilo. O deputado Elizeu Nascimento e os institutos ISMAT e IBRACE ainda não se manifestaram publicamente sobre o teor das acusações. O gabinete do deputado Diego Guimarães também deve ser instado a explicar os critérios técnicos para a escolha do instituto como beneficiário de tamanha soma de recursos.
As autoridades agora trabalham na quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos para rastrear o caminho do dinheiro e identificar se houve o retorno de valores aos parlamentares, prática conhecida como “rachadinha de emendas”.

















