A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), aumentou a dívida do município em R$ 608 milhões de acordo com dados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) obtidos pela reportagem do PNB Online. Os números referem-se apenas às dívidas de precatórios, sem incluir pagamentos aos fornecedores e folha salarial dos servidores.
Por conta de sucessivos calotes nos precatórios, o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, determinou o bloqueio de repasses da União e do Governo do Estado ao município, conforme revelou reportagem do PNB Online.
O PNB também revelou que Moretti foi avisada, no primeiro ano de sua gestão, que a prefeitura do município quebraria, mas documentos apontam que a prefeita ignorou os alertas.
Os números do TJMT contrariam o principal argumento da prefeita e de seus aliados quando o assunto é o bloqueio de repasses. Frequentemente Moretti afirma que “herdou” a dívida de gestões passadas, ao citar seu opositor, Kalil Baracat (MDB), com quem ainda hoje trava disputas políticas, apesar de ter nomeado ex-aliados de Kalil na prefeitura, como Silvio Fidelis, atual secretário de Governo.
Segundo o Tribunal, no entanto, a gestão de Moretti agravou a crise dos precatórios, aumentando substancialmente o saldo devedor e não cumprindo com as parcelas dos planos de pagamentos pactuados pela própria prefeita.

Conforme os dados do processo judicial da Central de Precatórios, a dívida declarada era de R$ 357 milhões em agosto de 2024. Em dezembro de 2025, último dado disponível, o volume dos precatórios saltou para R$ 965 milhões, se aproximando do saldo de R$ 1 bilhão.
Em manifestação no processo, a procuradora de Justiça Naume Denise Nunes Rocha Muller criticou o procedimento da prefeitura, que classificou como “cíclico”, ao pagar as dívidas sempre às vésperas de algum bloqueio das contas.
“Ocorre que a atuação da municipalidade devedora tem sido cíclica: imprime esforços em adimplir as parcelas do PAP e, quando às vésperas de um possível bloqueio judicial, clama pela repactuação do plano de pagamento atual, com diluição das parcelas então vencidas, que, por fim, findam por restarem inadimplidas”, afirmou a procuradora.
O município passou a atrasar os repasses do plano de pagamentos de precatórios a partir de outubro de 2025, acumulando dívidas das parcelas mês a mês. Notificado para manifestação, o procurador de Várzea Grande, Maurício Magalhães Faria Neto, afirmou apenas que a prefeitura está em “tratativas” para regularizar os pagamentos.
Em março, a dívida nas parcelas chegou a R$ 24 milhões. Por fim, em nova manifestação a Prefeitura culpou gestões anteriores pelas dívidas, afirmando que a unificação com precatórios do DAE-VG e do Previvag foi a responsável pelos atrasos nas parcelas. Em abril, as dívidas nas parcelas chegaram a R$ 29 milhões. Após alguns repasses, a dívida nas parcelas ficou em R$ 19 milhões em junho, até a decisão mais recente de bloqueio de repasses.



















