Chapada dos Guimarães, joia do ecoturismo mato-grossense, parece ter perdido o rumo – e não é por falta de belezas naturais.

Chapada dos Guimarães e a crise silenciosa no turismo: gestão desastrosa apaga brilho do principal destino de ecoturismo de MT

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A outrora vibrante Chapada dos Guimarães, joia do ecoturismo mato-grossense, parece ter perdido o rumo – e não é por falta de belezas naturais. Na última semana, durante a realização da FIT Pantanal, maior feira de turismo do estado de Mato Grosso, o município, que já foi protagonista entre os destinos mais procurados da região Centro-Oeste, passou praticamente despercebido. O stand da cidade, modesto e sem qualquer atrativo relevante, foi um reflexo da falta de investimento e do desinteresse da atual gestão em promover com seriedade o turismo local.

A prefeitura, que deveria aproveitar eventos como esse para alavancar a visibilidade da Chapada e atrair visitantes e investidores, tratou a FIT Pantanal com desdém. Enquanto outros municípios trouxeram experiências sensoriais, apresentações culturais e materiais informativos de qualidade, Chapada limitou-se a uma presença protocolar, quase invisível. O recado foi claro: a gestão municipal não considera relevante investir na promoção do seu principal setor econômico.

Sob a condução do secretário de Turismo Alexandre Eustáquio – mais conhecido como Xande Eustáquio –, a pasta vem colecionando equívocos. Um exemplo recente e alarmante foi a promoção feita nos canais oficiais da prefeitura da Cachoeira da Martinha como atrativo turístico. O problema? O local está interditado judicialmente, o que torna a divulgação não apenas irresponsável, mas também ilegal. Promover um atrativo interditado fere a credibilidade do município, confunde os visitantes e expõe a fragilidade técnica de quem deveria zelar pelo setor.

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E como se não bastasse o despreparo evidente na promoção turística, Chapada dos Guimarães sofreu outro duro golpe: foi oficialmente retirada do Mapa do Turismo Brasileiro. A exclusão se deu porque a prefeitura não entregou, dentro do prazo, a documentação exigida pelo Ministério do Turismo. A falha pode parecer meramente burocrática, mas tem consequências graves: o município poderá ficar até um ano sem receber recursos federais destinados à área, comprometendo obras, eventos e projetos de infraestrutura turística. Uma penalidade que recai sobre toda a população e cadeia produtiva local, resultado direto da negligência administrativa.

É estarrecedor observar como uma cidade com vocação turística tão clara, sustentada por uma natureza exuberante, rica história e cultura, tenha à frente de sua política de turismo gestores despreparados e amadores. A pasta do Turismo, estratégica para o desenvolvimento local, foi transformada em um experimento de improvisos, falhas e decisões temerárias.

A reflexão que se impõe é urgente: como um município que depende fundamentalmente do turismo para girar sua economia permite que pessoas sem formação, sem visão de futuro e sem comprometimento com a excelência conduzam um setor tão sensível? A Chapada dos Guimarães não pode continuar refém da falta de profissionalismo. Se não houver uma mudança radical na forma como o turismo é gerido, o destino, que já encantou o Brasil e o mundo, corre o risco de ser lembrado apenas como uma bela promessa perdida na neblina da má gestão.

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