Ação cautelar questiona legalidade da contratação do ISMAS por dispensa de licitação no valor de R$ 15,3 milhões; denúncia no TCE-MT aponta irregularidades desde março
A Justiça de Mato Grosso foi acionada para analisar um pedido de suspensão imediata dos pagamentos ao Instituto São Miguel Arcanjo de Gestão em Saúde (ISMAS), entidade responsável pela administração do Hospital Municipal Joacir Dantas de Araújo, em Araputanga, município localizado a 345 quilômetros de Cuiabá. O pedido consta em uma ação cautelar preparatória de ação popular protocolada no dia 21 de maio no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A medida foi apresentada por um servidor público, por meio do advogado Noel da Silva Santos, e solicita investigação sobre a legalidade da contratação do instituto, realizada por dispensa de licitação. Conforme a ação, o município formalizou a Dispensa de Licitação nº 001/2026 com o ISMAS no valor estimado de R$ 15.326.000,00 para a gestão da unidade hospitalar.

O autor do processo aponta supostas irregularidades na contratação, questionando a capacidade técnica da entidade, possíveis favorecimentos e eventual uso irregular de recursos públicos da saúde. Entre os pedidos à Justiça estão a apresentação, por parte do município e do instituto, de toda a documentação relacionada ao contrato — incluindo processo administrativo, relatórios financeiros, destinação dos recursos já utilizados e detalhamento dos pagamentos efetuados desde o início da vigência contratual.
A ação requer ainda a suspensão de novos repasses financeiros ao instituto, inclusive com eventual bloqueio de contas bancárias, até que sejam esclarecidas as dúvidas sobre a legalidade da contratação. Segundo o documento, há indícios de possível violação aos princípios da administração pública, especialmente quanto à obrigatoriedade do processo licitatório.

O autor da ação pede ainda a manifestação do Ministério Público Estadual (MPE) para apuração de possíveis atos de improbidade administrativa e eventual crime de responsabilidade.
Denúncia no TCE-MT
Em março deste ano, uma denúncia também foi protocolada no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), questionando a contratação do ISMAS pela Prefeitura de Araputanga. Segundo a representação, a entidade não teria capacidade técnica comprovada para administrar a unidade hospitalar.
O documento aponta que o instituto teria sido constituído recentemente após alterações no contrato social da empresa SOLMEDIC Serviços Médicos e Gestão LTDA, que passou a se apresentar como associação — mantendo como atividade econômica principal o ensino superior de graduação.
A Dispensa de Licitação nº 001/2026 foi assinada pelo prefeito Enilson Rios (União Brasil) no dia 5 de janeiro de 2026. Segundo levantamento citado na denúncia, o contrato representa um aumento de R$ 9.326.378,00 em relação ao valor anual anteriormente pago aos antigos gestores do hospital.
A denúncia sustenta ainda que pessoas supostamente ligadas à entidade já estariam atuando dentro do hospital antes da formalização do contrato. Outro ponto levantado é a velocidade do processo: após o anúncio da aquisição da unidade hospitalar pela prefeitura, em 1º de janeiro de 2026, a contratação do instituto no valor de R$ 15,3 milhões teria sido formalizada em apenas cinco dias, por meio de dispensa de licitação.
Até o momento da publicação desta matéria, a Prefeitura de Araputanga e o Instituto São Miguel Arcanjo de Gestão em Saúde não se manifestaram sobre as alegações.
Processo: Ação Cautelar Preparatória nº 1000762-91.2026.8.11.0038 · TJMT · Protocolada em 21/05/2026

















