Delegado da cidade alerta para processo de “mexicanização” do crime, com mais de 60 homicídios em dois anos; facção ostenta poderio bélico capaz de derrubar aeronaves.
A região do garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda (a 444 km de Cuiabá), vive um processo de “mexicanização” do crime, segundo alerta do delegado do município, João Paulo Berté. Em entrevista ao Jornal da Band, Berté usou a expressão para descrever a escalada de violência desencadeada pela facção Comando Vermelho (CV), que transformou a área em um território de disputa e medo, batizado internamente de “República do México”. O termo reflete a brutalidade típica de cartéis, com aumento de homicídios, tráfico de drogas e chacinas.
A atuação do grupo criminoso no local começou de forma aparentemente “pacífica”. Inicialmente, o CV era contratado para fornecer segurança aos garimpeiros. No entanto, a ganância fez com a facção decidisse assumir diretamente o controle da atividade ilegal, incorporando-a ao seu leque de ilicitudes. Com a chegada do grupo ao garimpo do Curutu, um dos pontos da TI Sararé, a violência na região explodiu. Dados apurados pela reportagem mostram que, entre 2023 e 2025, foram registrados mais de 60 homicídios diretamente ligados ao conflito.
O poderio bélico dos criminosos é um dos fatores que assustam as autoridades e a população. Em um vídeo que circula amplamente em redes sociais, um integrante da facção aparece disparando um fuzil de grosso calibre, uma arma com poder suficiente para abater um helicóptero. A demonstração de força não é vazia. Em um episódio que ilustra a tensão permanente, membros do CV confundiram uma caminhonete que transportava garimpeiros com uma viatura da polícia civil e metralharam o veículo. O ataque resultou na morte de um homem. O responsável, identificado como Rodrigo Abreu de Souza, foi posteriormente expulso da facção e agora é procurado pela polícia.
A onda de crimes não se restringe aos garimpos. Produtores rurais da região também entraram na mira do grupo. Eles relatam uma sequência de crimes: invasões de propriedade, roubo de terras, ameaças de morte e danos ambientais, criando um clima de intimidação generalizada.
Enquanto isso, do outro lado do conflito, garimpeiros ouvidos pela reportagem defendem-se argumentando que estão apenas tentando garantir seu sustento. Eles afirmam que a atividade ilegal é a única fonte de renda disponível, mas agora se veem espremidos entre a ação do crime organizado e a fiscalização do Estado.
O caso expõe a complexidade do problema, que envolve a falência do poder público em um território de fronteira, o avanço do crime organizado sobre economias ilegais e o drama social de centenas de pessoas dependentes de uma atividade predatória. A “República do México” em Mato Grosso se consolida como um sério desafio para a segurança pública no estado. (com informaç


















