A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), justificou a dificuldade de avançar com obras de pavimentação e tapa-buracos na cidade argumentando que os moradores estão inadimplentes com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Como exemplo, a prefeita citou o bairro Eliane Gomes, onde foi arrecadado apenas R$ 600 em IPTU.
Os dados da própria prefeitura mostram, no entanto, que a arrecadação não parece ser o grande problema do município. No comparativo do período de janeiro a abril de 2025 e 2026, a prefeitura arrecadou R$ 60 milhões a mais, um crescimento de 12%.
“Eu não tenho como fazer asfalto, pagar asfalto, recapear e tapar buraco se eu não tiver dinheiro. O bairro Eliane Gomes tem lançado R$ 160 mil de IPTU e teve pagamento de R$ 600 até hoje. Se as pessoas estão reclamando de tapa-buraco, de investimento, seja qual bairro que for, isso tudo é dinheiro”, afirmou a prefeita em entrevista à imprensa na última quarta-feira (27).
De acordo com os balanços contábeis oficiais da prefeitura, a Receita Corrente Total acumulada entre janeiro e abril de 2025 foi de R$ 491.164.917,81 de IPTU. Já no mesmo período de 2026, o montante saltou para R$ 552.010.972,67, o que representa um incremento real de R$ 60.846.054,86 nos cofres públicos (uma alta de 12,39%). O crescimento foi puxado por aumentos expressivos nos meses de janeiro (+23,51%) e fevereiro (+20,17%).
O IPTU e a cobrança aos bairros
Apesar do fôlego de R$ 60 milhões a mais no orçamento global, a chefe do Executivo focou o discurso na arrecadação específica do IPTU por regiões para justificar a falta de asfalto.
Moretti disse acompanhar a arrecadação por bairros. Este dado, no entanto, não é divulgado oficialmente pela prefeitura. Por isso, não é possível fazer o comparativo específico do bairro citado pela prefeita. Como não há divulgação do dado revelado por Moretti, também não é possível verificar se a informação é verdadeira ou não.
Em sua fala, a prefeita argumentou ter o “BI de bairro por bairro em Várzea Grande”. “Power BI” é uma ferramenta da empresa Microsoft comumente utilizada em órgãos públicos para a visualização de dados brutos de planilhas.
Flávia Moretti argumentou que a administração municipal tem operado no limite financeiro e precisa priorizar despesas fixas. “A população tem que entender que eu estou fazendo e esticando a matemática. Hoje eu tenho que dividir recursos entre folha de pagamento, insumos da saúde e tapa-buracos”, justificou.
















