A denúncia partiu do Laboratório de Teorias e Práticas Feministas e Antirracistas de Enfrentamento às Violências Contra Mulheres e Meninas

RETROCESSO: Abílio fecha espaços para mulheres vítimas de violência em Cuiabá

Abílio Brunini e Lúcia Helena, secretária de Saúde

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Cuiabá, MT – Menos de seis meses após assumir a Prefeitura de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) enfrenta críticas pelo fechamento dos Espaços de Acolhimento à Mulher nas UPAs dos bairros Verdão e Leblon. A denúncia partiu do Laboratório de Teorias e Práticas Feministas e Antirracistas de Enfrentamento às Violências Contra Mulheres e Meninas, que acusa a gestão de interromper atendimentos a vítimas de violência doméstica sem oferecer alternativa adequada.

O Laboratório é uma parceria entre a UFMT, a Unemat e o IFMT.


Feminicídio em Mato Grosso: os números que revelam uma triste realidade

  • 47 mulheres vítimas de feminicídio em 2024

  • 41 delas eram mães

  • 89 órfãos deixados pelos crimes

Sobre as vítimas:
Segundo a Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, entre as 47 mulheres assassinadas, 41 eram mães. Dezessete dos órfãos eram filhos dos próprios agressores, e quatro perderam também os pais, que cometeram suicídio após os crimes.

Casos chocantes:
Nove mulheres foram mortas na frente dos filhos. Um dos casos mais brutais foi o de Gleiciane de Souza, 35 anos, assassinada pelo marido em Jaciara em setembro de 2023. Ele a agrediu dentro de casa, arrastou-a para a rua, atirou nela e ateou fogo em seu corpo – tudo na frente das crianças do casal, de 8 e 9 anos.

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Os dados constam no relatório “Mortes Violentas de Mulheres e Meninas em Mato Grosso por razões de gênero 2024”, que analisa boletins de ocorrência, inquéritos e medidas protetivas.


Romper o silêncio pode salvar vidas

A violência doméstica deixa marcas profundas nas famílias, e a única saída para muitas vítimas é denunciar. Em 2024, a Polícia Civil registrou 17.910 medidas protetivas, um aumento de 6% em relação a 2023.

No entanto, os serviços de acolhimento em Cuiabá foram extintos em março, sob a justificativa de uma “recentralização temporária” no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Dois meses depois, não há sinal de reabertura, e servidoras denunciam o desamparo de centenas de mulheres.


Desmonte silencioso

Os espaços fechados atendiam cerca de 300 mulheres entre junho de 2023 e março de 2024, incluindo vítimas encaminhadas pelo Judiciário e Ministério Público.

A Lei Federal nº 14.847/2024 garante salas exclusivas para mulheres vítimas de violência no SUS, com equipes especializadas. Em Cuiabá, porém, a demanda foi transferida para as UBS, sobrecarregando profissionais que já atendem 12 polos regionais.

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“Como uma psicóloga vai priorizar essas mulheres sem um projeto específico?”, questiona uma servidora.


O que exige o movimento?

O Laboratório protocolou denúncias no MP, Defensoria, Câmara Municipal e conselhos de direitos, exigindo:

Reabertura imediata dos espaços ou criação de alternativa equivalente;
Transparência sobre o fechamento e destino dos prontuários;
Garantia de políticas públicas contínuas para mulheres.


O que diz a Prefeitura?

A gestão afirma que houve apenas um remanejamento dos atendimentos, mas garante que não houve paralisação.


Mato Grosso: um dos piores lugares para ser mulher

O estado lidera o ranking nacional de feminicídios em 2024, e o Brasil ocupa o 5º lugar no mundoem assassinatos de mulheres.

Para a professora Lélica Lacerda (UFMT), do coletivo Nenhuma a Menos, o fechamento dos espaços é “um atentado à vida”:

“Sem esses serviços, as vítimas ficam reféns da própria sorte em um estado que já é uma máquina de matar mulheres.”

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