Enquanto centenas de aprovados no concurso público da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), realizado em 2023, aguardam chamamento, a gestão do secretário Gilberto Figueiredo enfrenta críticas e investigações. Uma das polêmicas envolve a manutenção de Moacir Giacomini Filho, ex-cunhado de Figueiredo, em cargo temporário na secretaria.
Moacir Giacomini Filho ocupa função na Coordenadoria de Abastecimento e Distribuição de Insumos e Medicamentos, uma das unidades mais problemáticas da SES-MT, onde foi instaurado processo administrativo por assédio moral. Apesar de ser apenas suplente de contrato, segundo registros no Diário Oficial do Estado, ele recebeu um salário de R$ 3.011,43 em dezembro de 2024.
Além disso, a SES-MT enfrenta um déficit estimado em 7 mil profissionais, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos de Saúde de Mato Grosso (SISMA/MT). Atualmente, o órgão conta com 4.773 servidores temporários, 181 comissionados e apenas 2.833 efetivos. O quadro de pessoal deverá ser ampliado devido à construção de novos hospitais regionais no interior do estado.
Investigações e relações familiares
Gilberto Figueiredo, que está à frente da pasta desde o início do mandato de Mauro Mendes (União), é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de lavagem de dinheiro. As apurações também citam o nome de Renato Giacomini Figueiredo, filho do secretário, e de sua ex-esposa Idaneia Giacomini Figueiredo, irmã de Moacir Giacomini Filho.
Apesar da repercussão do caso, o governador Mauro Mendes afirmou que manteria Gilberto Figueiredo no cargo. O próprio secretário, ao ser questionado, negou ter conhecimento sobre as investigações.
Decisão judicial determina substituição de temporários por efetivos
Em meio às críticas e à pressão pública, a desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira determinou na última quinta-feira (16.01) que a SES-MT cesse a prorrogação de contratos temporários e a realização de novos processos seletivos enquanto o concurso de 2023 estiver vigente. A decisão também prevê que as vagas abertas sejam preenchidas pelos aprovados no certame, seguindo a ordem de classificação, e que a substituição de temporários por efetivos ocorra de forma gradual para garantir a continuidade dos serviços.
No entanto, no mesmo dia em que a decisão foi emitida, leitores denunciaram a publicação de prorrogações de contratos temporários no Diário Oficial do Estado. O caso gerou indignação entre os aprovados no concurso, que esperam pela convocação para ocupar as vagas na saúde pública do estado.
Declarações contraditórias
Em uma audiência realizada no ano passado na Assembleia Legislativa, Gilberto Figueiredo afirmou que “se pudesse, todos seriam concursados”, mas destacou que a prerrogativa de nomeação cabe ao governador. A fala contrasta com a realidade da gestão, marcada pelo elevado número de contratos temporários e pela falta de perspectiva para os aprovados no concurso público. (com informações VGN)





















