O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), afirmou nesta sexta-feira (15) que não vê necessidade de reforçar o efetivo da Polícia Militar para proteger a população, mesmo diante do aumento da criminalidade no estado. A declaração foi dada durante uma aula magna no Tribunal de Contas (TCE-MT), onde ele argumentou que “contratar 5 mil policiais” não seria a solução para a violência, atribuindo a culpa ao Código Penal de 1940, que considerou “ultrapassado”.
A contradição, porém, salta aos olhos: enquanto nega mais investimentos em segurança pública, Mendes mantém um aparato de mais de 80 policiais militares exclusivamente para proteger a si mesmo e sua família – um verdadeiro “batalhão particular” custeado pelo dinheiro público.
Enquanto isso, o cidadão comum enfrenta assaltos, furtos e homicídios sem a devida proteção. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que Mato Grosso registrou alta em roubos e latrocínios nos últimos anos, com muitas vítimas relatando demora no atendimento policialdevido à falta de efetivo.
Recusa em chamar aprovados no concurso da PM
Além de descartar a contratação de novos policiais, o governador não tem convocado os aprovados no último concurso da PM, deixando centenas de profissionais aptos fora da ativa. A justificativa de que “mais policiais não resolvem” contrasta com a realidade de estados que ampliaram o efetivo e reduziram os índices de criminalidade.
Críticas e contradições
Para especialistas em segurança pública, a fala de Mendes ignora a importância do policiamento ostensivo e joga a responsabilidade para as leis, sem propor soluções concretas. Já a oposição e movimentos sociais apontam o descaso de um governador que prioriza sua própria segurançaenquanto nega o mesmo direito à população.
“Criticar o Código Penal pode render manchete, mas recusar-se a chamar PMs aprovados enquanto mantém um exército pessoal é um tapa na cara da sociedade”, afirmou analista político.





















