Passa a investigar de forma concorrente ou independente do MPF

GARIMPO E DESTRUIÇÃO: MP muda entendimento e vai investigar dano causado pela mineração em Mato Grosso

Área de garimpo ilegal próxima a aldeia Turedjam, na Terra Indígena Kayapo, localizada no sul do Pará - Lalo de Almeida - 21.abr.2023/Folhapress

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Foi publicado na última quarta-feira (18.12) um enunciado do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) que determina a atuação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) em demandas cíveis que envolvam a prevenção e o dano decorrentes da exploração de recursos minerais.

A atribuição, que antes era praticamente exclusiva do Ministério Público Federal – em razão do entendimento de que os bens minerários são bens pertencentes à União – agora passa também a ser do MPMT. A mudança foi feita pelo Procurador-Geral de Justiça em substituição Marcelo Ferra de Carvalho.

Ferra atendeu à tese do procurador José Antônio Borges, autor de um parecer que defendeu a ideia de que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito mais caro a ser tutelado em comparação aos bens da União. Para o procurador, o MPF e o MPMT devem trabalhar de forma conjunta em muitas dessas causas.

No seu parecer, Borges citou inúmeros procedimentos abertos no MP que envolvem os danos causados pelo garimpo e pela mineração. Entre eles, a poluição do rio Bento Gomes, em Poconé, contaminado por mercúrio.

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 Borges afirma que a maior parte das licenças para mineração não são concedidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e sim pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). O que, segundo o procurador, faria com que a competência passasse a ser também do MPMT.

“Uma vez aferida a competência do órgão ambiental estadual para licenciar o empreendimento ou a omissão/mora imotivada ou desproporcional de outro ente licenciante e de seus órgãos de fiscalização, entendo que o procedimento deve ser mantido no Ministério Público Estadual para a apuração dos danos ambientais decorrentes da atividade mineradora ilegal, remetendo-se apenas cópia integral dos autos ao Ministério Público Federal para que atue naquilo em que reside o interesse específico da União”, afirmou o procurador.

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