Enquanto o Pantanal enfrenta a degradação causada pelo mercúrio clandestino e crateras abertas por escavadeiras ilegais, um empresário do garimpo celebra a aquisição de um jato executivo Cessna Citation Longitude, avaliado em R$ 140 milhões. A cena de luxo contrasta com a realidade da região, onde o Ibama multou nove garimpeiros em Poconé (MT) por uso ilegal de mercúrio na extração de ouro — crime ambiental que resultou em multas de R$ 20 milhões.
A fiscalização faz parte da Operação Almadén, desencadeada no início de junho como desdobramento das operações Hermes I e Hermes II (2022 e 2023), realizadas em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Segundo Jair Schmitt, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, nenhuma das empresas autuadas registrou transações legais de mercúrio no sistema oficial de rastreamento. O metal tóxico, cuja origem só pode ser importação ou reciclagem autorizada, era adquirido e utilizado na clandestinidade. Muitas das mineradoras sequer tinham licença ambiental.
O mercúrio, altamente poluente, evapora à temperatura ambiente, contaminando o ar, os rios e o frágil ecossistema pantaneiro. A tragédia se agrava quando se lembra que o ouro, apesar de sua lucratividade, é isento de impostos pela Lei Kandir. Enquanto o Brasil não arrecada nada com sua exportação, os custos ambientais e sociais da devastação recaem sobre a população e o bioma.
Enquanto o Pantanal se dissolve em veneno e crateras, os donos do garimpo voam alto — literalmente — em jatos de luxo, deixando para trás um rastro de destruição que pode ser irreversível. ( com informações Metrópoles e bloddopopo)

















