Ao mandar “cuiabanos esquerdistas” para a Venezuela, Abilio tenta abafar escândalo de pedalada de R$ 100 milhões na Educação
Em meio ao escândalo milionário envolvendo a Educação de Cuiabá, o prefeito Abilio Brunini (PL) voltou a recorrer a uma velha estratégia política: criar polêmica ideológica para tentar desviar o foco dos problemas da própria gestão. Desta vez, o chefe do Executivo afirmou que quem for “esquerdista” e morar em Cuiabá pode ir para a Venezuela.
A declaração surge justamente no momento em que a administração municipal está sob pressão por causa da denúncia de suposta “pedalada fiscal” de mais de R$ 100 milhões na Educação, caso que será investigado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). A suspeita é de que recursos da área teriam sido retidos, apesar de o município apresentar formalmente o cumprimento do mínimo constitucional de investimento no setor.
Na prática, a denúncia aponta que a Prefeitura teria feito uma manobra contábil para aparentar regularidade nas contas, enquanto obrigações financeiras da Educação ficariam represadas ou empurradas para frente. O caso é grave porque envolve dinheiro público destinado a uma das áreas mais sensíveis da administração: escolas, alunos, professores e estrutura da rede municipal.
O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, determinou auditoria para apurar a execução orçamentária e financeira da Educação em Cuiabá. A investigação deverá verificar se houve retenção de recursos, possíveis impactos na rede municipal e eventual dano ao funcionamento da pasta.
O episódio aumenta o desgaste de Abilio, que já vinha sendo cobrado por problemas administrativos e agora vê sua gestão no centro de uma apuração que pode gerar consequências políticas e jurídicas. Dependendo do que for constatado pelos órgãos de controle, o caso pode abrir caminho para responsabilização do prefeito e até questionamentos sobre a permanência dele no cargo.
Enquanto isso, em vez de apresentar explicações claras à população sobre o rombo apontado na Educação, Abilio tenta deslocar o debate para a polarização política. Ao atacar “esquerdistas” e citar a Venezuela, o prefeito repete o roteiro que já usou outras vezes: produzir barulho nas redes sociais para tentar abafar crises concretas da gestão.
A tática, porém, começa a perder força. A população cuiabana não vive de lacração ideológica, mas de serviços públicos. E o que está em discussão agora não é Venezuela, direita ou esquerda. É dinheiro da Educação, é possível manobra fiscal e é a responsabilidade de quem comanda o Palácio Alencastro.
Com o TCE no encalço da gestão, a cortina de fumaça de Abilio pode não ser suficiente para esconder o problema. O prefeito pode até tentar transformar o debate em guerra ideológica, mas a auditoria deve seguir o caminho dos números, dos documentos e das responsabilidades.
No fim, a pergunta que fica é simples: enquanto Abilio manda adversários políticos para a Venezuela, quem explica aos cuiabanos o que aconteceu com os milhões da Educação?



















