Uma denúncia grave vinda do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) expõe a precariedade do sistema de saúde e a angústia de uma família. Anderson Rondon Leite, de apenas 42 anos, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) há mais de 25 dias, após uma cirurgia para remoção de um tumor na cabeça. No entanto, sua recuperação é ameaçada pela falta de um medicamento essencial para combater uma infecção, que o próprio hospital não possui e que é de alto custo e difícil acesso no mercado .
A situação foi revelada por uma equipe de reportagem que esteve no HMC na noite desta quarta-feira, conversando com o tio do paciente, o senhor Adão. Em depoimento emocionado, Adão expressou sua indignação e desespero. “A gente sabe que ele precisa do remédio, o hospital, no caso, não tem, está em falta”, relatou. Segundo ele, a medicação disponível no HMC seria suficiente apenas para três dias, sendo que o tratamento completo exigiria 14 dias. O hospital, por sua vez, não oferece uma previsão clara para a aquisição do insumo, alegando burocracia e a dificuldade de compra .
“Eles não podem começar com o tratamento é para 14 dias, eles não podem começar, parar em três dias, aí, não dá continuidade ao tratamento”, explicou o tio, evidenciando o dilema cruel imposto à família. A busca pelo medicamento em farmácias externas foi infrutífera, e a família sequer conseguiu a receita para tentar uma “vaquinha” e comprar o remédio por conta própria, devido à burocracia. “A gente fica aqui com as mãos atadas, assim, desesperado, sem saber, pode qualquer hora perder o menino, a infecção dele aumenta, dá uma controladinha, aumenta, não é controlada, mas a gente fica sem resposta, a gente está sofrendo, a família sofrendo junto com ele”, desabafou Adão .
Este episódio não é isolado e se soma a um histórico de problemas na gestão da saúde de Cuiabá e, especificamente, no HMC. Denúncias de falta de medicamentos, insumos e infraestrutura precária têm sido recorrentes no último ano.
A falta de um medicamento vital para um paciente em estado grave na UTI é um reflexo alarmante da crise que assola o sistema de saúde. A situação de Anderson Rondon Leite clama por uma solução urgente e transparente, que vá além das promessas e garanta o direito fundamental à saúde para todos os cidadãos. A família, em meio ao desespero, aguarda uma resposta efetiva das autoridades para que a vida de Anderson não seja mais uma estatística da negligência.


















