Não foi preciso um dossiê, nem um escândalo, nem um panelaço. Bastou um vídeo gravado pelo deputado federal Emanuelzinho ao lado do ministro Alexandre Padilha — um pedido sereno, técnico e articulado — para desestabilizar o equilíbrio emocional do governador Mauro Mendes. Poucas horas depois da publicação do vídeo, Mendes apareceu mudando o tom, o rumo e, aparentemente, até a bússola da sua gestão: de “não vamos ficar com a Santa Casa” para “talvez a gente compre, mas não por causa de votinhos”. É de se admirar o poder de um vídeo de um minuto sobre um gestor que passou meses afirmando, categoricamente, que queria se livrar da Santa Casa.
A situação da Santa Casa de Misericórdia, patrimônio de 200 anos da saúde cuiabana, virou um ringue de vaidades e vaivéns administrativos. Enquanto a população assiste a um patrimônio histórico ir a leilão para cobrir dívidas de ex-funcionários, o governador se debate entre a técnica e o temperamento. Primeiro terceiriza a culpa ao Tribunal Regional do Trabalho, depois ao prédio, depois ao município, depois ao passado. Se a Santa Casa fosse uma bola de futebol, Mauro Mendes já teria chutado para lateral, para escanteio e até para a arquibancada. Agora, com a bola no colo do governo federal, ele ameaça voltar para o campo, mas avisa: só joga se não parecer que quer fazer gol com “votinhos”.
É cômico, não fosse trágico. O governador de Mato Grosso parece mais um personagem de série política da Netflix, daqueles que mudam de ideia a cada capítulo com base na última postagem viral. O problema é que o roteiro não é ficção: é a vida de milhares de cuiabanos que dependem dos serviços da Santa Casa. Se Emanuelzinho conseguiu esse efeito com um vídeo, imagine o que conseguiria com um plano estruturado? Talvez até Mauro Mendes passasse a cogitar transformar a Santa Casa em museu — desde que não tivesse que assumir nenhuma responsabilidade. (informações blogdopopo)

















