A trajetória recente de Irajá Lacerda atravessa campos políticos bastante distintos. Em 2022, quando disputava uma cadeira de deputado federal, ele gravou vídeo declarando publicamente apoio à reeleição de Jair Bolsonaro. Na ocasião, chegou a alertar seus eleitores para que não acreditassem que estivesse apoiando Luiz Inácio Lula da Silva.
Bolsonaro perdeu a eleição presidencial. Irajá também não conseguiu se eleger deputado federal.
Pouco depois, porém, Irajá passou a ocupar um dos postos mais importantes do governo Lula na área da Agricultura.
A chegada ao Ministério da Agricultura e Pecuária teve participação direta de Carlos Fávaro, de quem Irajá havia sido chefe de gabinete no Senado. Quando Fávaro assumiu o comando do Mapa, em janeiro de 2023, Irajá foi escolhido para a Secretaria-Executiva, o segundo cargo na hierarquia da pasta.
Na prática, o político que havia declarado voto em Bolsonaro durante a campanha de 2022 passou, meses depois, a integrar o primeiro escalão de um ministério do governo Lula.
Irajá permaneceu no Mapa durante a gestão de Fávaro e chegou a responder interinamente pelo comando da pasta em períodos de ausência do ministro.
Agora, em 2026, o cenário político mudou novamente.
Fora do Ministério, Irajá está alinhado à candidatura presidencial de Ronaldo Caiado (PSD), adversário de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto.
Os três momentos estão registrados na trajetória política recente de Irajá: apoio declarado a Bolsonaro em 2022, participação no governo Lula a partir de 2023 e, nesta eleição, apoio a Caiado.
Mas a movimentação que chama atenção em Mato Grosso envolve justamente Carlos Fávaro, responsável pela projeção de Irajá no Ministério da Agricultura.
Antes de assumir a Secretaria-Executiva, Irajá havia trabalhado como chefe de gabinete do então senador. Posteriormente, com Fávaro no comando do Mapa, foi escolhido para ocupar o posto de número 2 do ministério.
Agora os dois estão em caminhos eleitorais diferentes.
Fávaro disputa uma vaga ao Senado por Mato Grosso. Irajá, por sua vez, tem participado de atos políticos em que pede votos para Mauro Mendes e Janaina Riva, adversários de Fávaro na corrida pelas duas cadeiras em disputa.
O contraste político está justamente aí.
Quem abriu espaço para Irajá no Senado e depois o levou ao núcleo de comando do Ministério da Agricultura foi Carlos Fávaro. Nesta eleição, porém, Irajá direciona seu apoio para outros nomes na disputa ao Senado.
A sequência permite uma comparação objetiva sobre as escolhas políticas feitas por Irajá nos últimos quatro anos: Bolsonaro em 2022; cargo de destaque no governo Lula durante a gestão de Fávaro; Caiado para presidente em 2026; e Mauro Mendes e Janaina Riva para o Senado em Mato Grosso.
Não é necessário recorrer a rótulos para descrever essa trajetória.
Os próprios movimentos políticos contam a história.

















