O Governo de Mato Grosso anunciou recentemente a abertura do edital 001/2023 para um concurso público visando a formação de cadastro de reserva na Secretaria de Estado de Saúde. Contudo, o número de vagas oferecidas, somando apenas 406 para profissionais de nível médio e superior em serviços de saúde do SUS, levanta questionamentos diante do contexto estadual.
Com um território que abrange 141 municípios, a escassez de vagas para um concurso público estadual destaca-se como uma contradição quando comparada aos projetos anunciados pelo governo: construção de quatro Hospitais Regionais, localizados em Juína, Alta Floresta, Tangará da Serra e Confresa, além de duas unidades hospitalares em Cuiabá, o Hospital Central e o Hospital Universitário Júlio Muller.
Diante desse cenário, a discrepância entre a quantidade de vagas oferecidas no concurso público e dos investimentos em novas estruturas de saúde chama a atenção. Enquanto o governo destina esforços para ampliar a infraestrutura hospitalar, a contratação de profissionais para atuar nesses novos espaços parece não receber a mesma atenção, o que leva à suposição de que os profissionais que trabalharão nestas novas unidades não serão contratados por meio de concurso, haja vista que um hospital de médio porte precisa de um número maior de funcionários do que a quantidade de vagas oferecidas no certame.
Um exemplo contrastante pode ser observado na capital, que realizou, em janeiro deste ano, um concurso para a Secretaria Municipal de Saúde, oferecendo mais de 2 mil vagas para efetivação imediata e formação de cadastro reserva. A diferença expressiva no número de vagas entre o concurso estadual e o municipal ressalta a disparidade nas políticas de contratação, levando a questionamentos sobre a efetividade das medidas adotadas pelo governo estadual para suprir as demandas crescentes na área da saúde.
A sociedade mato-grossense espera esclarecimentos por parte das autoridades quanto a essa aparente discrepância entre as ações governamentais. Afinal, a qualidade do atendimento à saúde da população depende não apenas da infraestrutura, mas também da presença e capacitação dos profissionais que atuam nesse setor fundamental.






















