A contundência do resultado da CPI vai depender, fundamentalmente, do tamanho da pressão popular e do volume de provas técnicas que vierem a público durante as audiências. Ou tudo poderá terminar em pizza.

Apesar dos fortes indícios de corrupção, CPI da Saúde pode terminar em pizza

publicidade

Um experiente deputado estadual fez um alerta sobre a manobra governista em curso para que a CPI da Saúde termine em pizza, apesar dos graves indícios de corrupção. O principal foco de atuação da Comissão envolve os desdobramentos de investigações como a Operação Espelho (que apurou possíveis fraudes e cartéis em plantões médicos), além de contratos indenizatórios e auditorias em parcerias de gestão hospitalar no Estado. Apesar deste contexto grave, os deputados governistas estariam simplesmente prontos para queimar as evidências e os fatos, jogando tudo no forno que vai assar a pizza da CPI.

O que estaria por vir? Entre as manobras previstas, segundo o parlamentar ouvido pelo PNB, estaria, por exemplo, a produção de um relatório paralelo ao que será escrito pelo presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSD). É, com certeza, uma manobra de risco dos parlamentares governistas, que estariam a serviço do ex-governador Mauro Mendes (União), queimando a própria imagem junto à população, caso se confirme a mudança de parlamentar para pizzaiolo.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) — instaurada para investigar contratos, licitações e supostas irregularidades na Secretaria de Estado de Saúde (SES) — passou recentemente por atualizações em sua bancada.

A composição dos membros titulares e suplentes ficou assim estruturada:

Membros Titulares

  • Presidente: Deputado Wilson Santos (PSD) — propositor da CPI
  • Vice-Presidente: Deputado Chico Guarnieri (PSDB)
  • Relator: Deputado Beto Dois a Um (Podemos)
  • Membro: Deputado Eduardo Botelho (MDB) (assumiu recentemente a titularidade na vaga que era da deputada Janaina Riva)
  • Membro: Deputado Dilmar Dal Bosco (União Brasil)
Leia Também:  Indicação de Max Russi contempla pequenos produtores de Araguaiana e Gaúcha do Norte

Quando uma Comissão Parlamentar de Inquérito é composta por uma ampla maioria de deputados alinhados ao Palácio Paiaguás, o risco de o relatório final ser “amaciado” ou de a investigação perder o fôlego é real e historicamente comum.

Vale avaliar se esta CPI da Saúde vai mesmo “terminar em pizza”, olhando para as forças e os interesses em jogo, que vão além do simples placar de governistas versus oposição.

Os fatores que apontam para o risco de “Pizza”

Controle do Relatório e dos Votos: O União Brasil (partido do governador Mauro Mendes) ocupa uma das cinco cadeiras titulares com Gilmar Dal Bosco. O relator Beto Dois a Um, ex-União Brasil, é quem dita o tom do documento final que será enviado aos órgãos de controle. Somando-se a isso, o vice-presidente Chico Guarnieri (PSDB) e o deputado Eduardo Botelho (MDB) também integram a base aliada. Na prática, o governo tem os votos necessários para blindar o primeiro escalão do Estado, rejeitar convocações incômodas e ditar o ritmo dos trabalhos.

A Troca Estratégica na Titularidade: A recente mudança que colocou o deputado Eduardo Botelho como titular na vaga de Janaina Riva reforçou a presença de lideranças governistas experientes na linha de frente da comissão, diminuindo o espaço para dissidências internas na bancada titular.

Os fatores que empurram a CPI para a “Contundência”

A Presidência nas Mãos da Oposição: O deputado Wilson Santos (PSD), proponente da CPI e um dos principais opositores da atual gestão estadual, ocupa a presidência. Embora o presidente não vote as decisões sozinho, ele detém o poder de ditar a pauta, conduzir os depoimentos de forma incisiva e, principalmente, dar forte visibilidade pública às denúncias. Ele dificilmente deixará a comissão morrer em silêncio.

Leia Também:  Dono de carro que explodiu em Brasilia é do partido de Bolsonaro (PL) e publicou sobre ataque com bombas nas redes sociais

O Peso do escândalo da “Operação Espelho”: Diferente de CPIs que investigam denúncias vagas, esta comissão se debruça sobre investigações já robustas conduzidas pela Polícia Civil (Deccor) e pelo Ministério Público (MPMT). O escândalo envolve o desvio de recursos públicos através de cartéis de empresas e fraudes em plantões médicos. Como os fatos já estão amplamente judicializados e sob os holofotes, um relatório final excessivamente brando ou omisso por parte dos deputados pode gerar um desgaste político imenso perante a opinião pública e o próprio Judiciário.

A Pressão da Suplência: Na suplência da comissão estão nomes como Lúdio Cabral (PT), que tem um histórico de forte atuação na fiscalização da saúde pública e costuma usar as sessões para expor as contradições do governo, gerando ruído e desgaste que a base governista tenta evitar.

Pizza completa ou meia pizza? O desfecho da CPI

O cenário mais provável não é o de uma “pizza total” (onde nada é descoberto ou punido), mas sim o de um direcionamento de culpa.

É muito comum que CPIs com maioria governista concentrem o rigor das investigações e dos indiciamentos nos elos mais fracos da corrente — como as empresas privadas contratadas (as Organizações Sociais de Saúde, por exemplo) e servidores de escalões intermediários —, enquanto poupam as lideranças políticas de alto escalão do governo, evitando apontar omissão ou conivência por parte da cúpula do Executivo.

A contundência do resultado vai depender, fundamentalmente, do tamanho da pressão popular e do volume de provas técnicas que vierem a público durante as audiências.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide