OPERAÇÃO ESPELHO

Servidora revela ‘assédio’ de secretária para atestar fraudes em contrato na Saúde de MT

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A secretária adjunta de Gestão Hospitalar da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Caroline Campos Dobes Conturbia Neves, uma das investigadas da Operação Espelho, “pressionou” uma servidora pública para que ela atestasse que a LB Serviços Médicos havia cumprido o contrato para receber os pagamentos. No entanto a empresa cometia várias ilegalidades, como a não disponibilização da quantidade de médicos prevista na licitação.

A informação consta na denúncia do Ministério Público do Estado (MPE) sobre o “cartel da saúde”, onde 22 pessoas foram denunciadas como participantes da organização criminosa que fraudou contratos do Estado e também de prefeituras do interior. O grupo combinava quem seria o ganhador de cada licitação e chegou a falsificar a ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) durante a pandemia de covid-19 para receber mais por isso.

A servidora que relatou as irregularidades cometidas por Caroline fez o reconhecimento por foto, a indicando como a responsável pelo assédio que ela sofreu para atestar o atendimento realizado pela LB Serviços Médicos.

“(…) era de conhecimento da secretária adjunta de Gestão Hospitalar as irregularidades na execução dos contratos, porém, ao invés de promover os ajustes e impossibilitar que a empresa LB Serviços Médicos Ltda recebesse os pagamentos, agindo no interesse dos seus representantes, Caroline Campos Dobes fez com que a fiscal K. assinasse documento relacionado aos contratos nº 098 e 102/2020”, diz trecho da denúncia do MPE.

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A diretora do Hospital Metropolitano, principal hospital do Estado onde ocorreram as fraudes, afirmou em seu depoimento que “quem era responsável, dentro da Secretaria, para gerir esses contratos era a denunciada Caroline Campos Dobes Conturbia Nezes, que tudo era encaminhado para a secretária adjunta e inclusive conversou algumas vezes a respeito da execução dos contratos e das irregularidades apontadas pela diretoria”.

Para o MPE, os termos de referência, assim como as ordens de serviço e os atestados de recebimento falsificados “serviram em verdade como cortina de fumaça, promovendo aparência de regularidade/legalidade na execução integral dos contratos, que não ocorreu”.

“Necessário destacar que o grupo criminoso instalado na administração pública, estruturada por agentes públicos e médicos empresários, revelou-se uma das modalidades criminosas mais preocupantes e perniciosas, pois a vítima (o erário) ficou totalmente à mercê de seus algozes que executaram as ações para atingir o intento criminoso, sob o manto da aparente regularidade e legitimidade”.

 

Fonte: J1 Agora

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