Até quando os vereadores e deputados que apoiaram a intervenção estadual na saúde de Cuiabá vão fazer vistas grossas para os absurdos que vêm acontecendo na condução da gestão do SUS na capital? Esses políticos foram eleitos para defender os interesses da população, mas na prática a voz das pessoas que votaram neles nunca é ouvida. Essas mesmas pessoas, que são as que utilizam o SUS, estão sendo completamente ignoradas.
A intervenção estadual na saúde de Cuiabá, que teve início com a promessa de melhorias e eficiência no sistema, tem sido alvo de críticas contundentes por parte dos moradores da região do Planalto e de outros bairros. O fechamento da Policlínica do Planalto e do pronto atendimento da Policlínica do Coxipó impôs um fardo significativo à população local, que agora se vê obrigada a buscar atendimento nas UPAs Leblon e Morada do Ouro, ambas distantes e de difícil acesso para muitos.
Uma moradora da região do Planalto expressou sua indignação com a situação: “Lá onde está a UPA (Leblon) não tem ônibus, tá? Isso que foi o governador que fez, com a intervenção. Dizem que agora em janeiro, dia 1, era pra acabar a intervenção e agora passou que ainda vai mais três meses, a população não aguenta. Com a entrada da intervenção, a saúde em Cuiabá ficou bem pior.”
A decisão de fechar unidades de atendimento essenciais sem uma alternativa viável para a população local é vista como negligente e prejudicial. A falta de transporte público adequado para a UPA Leblon agrava a situação, tornando o acesso aos serviços de saúde ainda mais desafiador para aqueles que dependem do sistema público.
A moradora continua descrevendo a dificuldade enfrentada pela comunidade: “Toda hora vem gente aqui (na Policlínica do Planalto) atrás de médico e tem que ir lá na UPA do Leblon. A UPA da Morada do Ouro tá sempre lotada. Tá difícil demais”, disse. A sobrecarga das UPAs remanescentes evidencia a falta de planejamento na implementação da intervenção, resultando em um aumento significativo na demanda por esses serviços limitados.
A promessa inicial de melhoria no sistema de saúde durante a intervenção parece ter se perdido, e a população agora enfrenta um cenário de maior precariedade. A prorrogação da intervenção por mais três meses frustrou as expectativas da comunidade, que esperava um retorno à normalidade no início do ano.
Diante desse quadro, torna-se imperativo que as autoridades responsáveis reavaliem a estratégia de intervenção e considerem medidas emergenciais para mitigar os impactos negativos na prestação de serviços de saúde à população de Cuiabá. A voz dos moradores deve ser ouvida, e ações efetivas devem ser tomadas para garantir o direito básico à saúde a todos os cidadãos da região.





















