Os empresários Robério e Laura Garcia, do grupo Engeglobal, pais do deputado federal licenciado e atual secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (União), vivem como casados, mas estão oficialmente divorciados desde 2016, cerca de dois anos antes de o grupo empresarial entrar com pedido de recuperação judicial, com dívidas de mais de R$ 590 milhões.
É o que aponta uma denúncia anônima registrada na Procuradoria-geral da Fazenda Nacional.
A Engeglobal Construções foi uma das empresas responsáveis por obras da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá que apresentaram diversos problemas, como a reforma do Aeroporto Marechal Rondon e a revitalização do Córrego 8 de Abril.
A denúncia, de 86 páginas, aponta que o divórcio formal teria sido uma manobra do casal para escapar de processos de penhora de credores do grupo Engeglobal. O documento ainda sustenta que houve fraude na partilha de bens do casal, com o suposto objetivo de ocultá-los.
De acordo com o documento – que está sob análise do setor inteligência do Ministério da Economia -, após o divórcio formal em 2016, Robério teria ficado com as empresas que se deterioraram financeiramente e pediram RJ em seu nome e Laura ficou com os bens imóveis, fazendas, além da empresa RGPAR, que não está incluída na recuperação judicial e segue em absoluta ascensão econômica.
“O projeto do divórcio foi bem arquitetado, pois, como veremos, ate os dias atuais, a Sra. Laura Paulino faz uso da partilha do divórcio para se proteger de qualquer penhora. (…) O que se tem, no presente momento, é uma ex-esposa milionária, com empresas em crescimento exponencial e patrimônio vultoso, e um ex-marido com empresas em Recuperação Judicial. (…) Os bens comuns ficaram protegidos, e os bens em declínio (Empresas do Grupo Engeglobal), agora, fazem jus a Recuperação judicial, afetando diretamente os inúmeros credores acumulados pelo grupo”
A denúncia aponta, por exemplo, que o casal vive sob o mesmo teto: um apartamento de luxo localizado no bairro Goiabeiras que, após o divórcio formal, ficou sob a titularidade da mãe de Fábio Garcia.
Em 2016, a empresa RGPAR, que pertencia ao grupo Engeglobal e foi transferida, após o divórcio, para Laura Paulino, foi avaliada à época em R$ 1.767.000,00.
Atualmente, no entanto, a mesma empresa apresenta capital social de R$ 27 milhões, sendo proprietária de quotas sociais de outras grandes empresas.
Obras da Copa do Mundo de 2014
A denúncia ainda cita diversas obras da Copa do Mundo tocadas pela Engeglobal com problemas, antes de 2016, como a construção do COTI do Pari, reforma do Aeroporto Marechal Rondon e revitalização do Córrego 8 de Abril, considerada uma obra de péssima qualidade e que custou mais de R$ 30 milhões aos cofres do estado.
Nas redes e em colunas sociais, Berinho, como é conhecido o empresário Robério Garcia, aparece normalmente como esposo de Laura Paulino Garcia. Em dezembro de 2022, os dois postaram uma foto lado-a-lado, em uma festa de 15 anos.Em outra publicação, eles aparecem sorridentes, ao lado do filho Fabio Garcia, do governador
Escritura pública de divórcio foi registrada em 2016 em cartório de Santo Antonio do LevergerRobério e Laura Garcia aparecem juntos em postagens do governador e primeira-dama de MT
Em outra publicação, eles aparecem sorridentes, ao lado do filho Fabio Garcia, do governador Mauro Mendes (União) e da primeira-dama Virgínia Mendes.
Uma coluna social do site Gazeta Digital também relatou que Laura e Robério seguiram para temporada, juntos, em Dubai, no ano passado.
“Por todo o exposto, fica claro que o citado casal, apesar de ter se divorciado formalmente, ainda mantém a convivência matrimonial, e ambos ainda usufruem igualmente de seus bens, o que indica a má-fe e o intento de fraude à execução, que motivaram o divórcio”
Em junho passado, o Isso É Notícia revelou que, em uma ação de execução fiscal onde a União cobra mais de R$ 70 milhões em impostos federais não-pagos do grupo Engeglobal, um procurador federal afirmou que a principal empresa do grupo é uma contumaz devedora de impostos.
O que dizem os citados
O Isso É Notícia procurou o advogado de Robério e Laura Garcia para comentar a denúncia feita à PGFN, mas não houve retorno dos pedidos de entrevista.
A reportagem também procurou o secretário-chefe da Casa Civil e deputado federal licenciado, Fabio Garcia, que figura como sócio de algumas empresas do grupo, mas nenhuma resposta foi obtida, via assessoria de imprensa do governo do estado.
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