A intervenção estadual na saúde da capital mato-grossense, que deveria ser um alívio para a população, tornou-se um verdadeiro desastre, conforme relatos preocupantes de profissionais da área. Uma enfermeira da UTI do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) recorreu às redes sociais em um pedido de socorro, revelando uma realidade crítica e insustentável nos bastidores do sistema de saúde.
A situação da saúde em Cuiabá atingiu níveis alarmantes, especialmente no que diz respeito à contratação de funcionários, com foco no HMC. A denúncia revela que, apesar de estarem trabalhando no limite, a equipe da UTI, composta por apenas seis técnicos para 20 leitos, está longe de atender às demandas necessárias. Enfermeiros se veem obrigados a desempenhar funções de técnicos, exacerbando a pressão sobre uma equipe já saturada.
Nas enfermarias, a proporção é ainda mais preocupante, com apenas um enfermeiro e três técnicos responsáveis por 40 leitos. Essa distribuição inadequada de profissionais coloca em risco a qualidade do atendimento prestado aos pacientes, evidenciando a falta de planejamento da intervenção.
Além da falta de recursos humanos, os profissionais de saúde enfrentam um cenário de descaso por parte da gestão. A enfermeira denunciante expôs um problema no pagamento dos salários, comprovando que o valor recebido não condiz com o estabelecido pela Política Salarial (PL).
O pagamento foi feito de maneira errônea, resultando em um salário-base abaixo do esperado. O descaso não para por aí: não houve reajuste salarial, e as tentativas de correção são ignoradas pelas autoridades responsáveis. A enfermeira e seus colegas encontram-se à mercê de especulações e enfrentam um desânimo crescente diante da incerteza quanto ao seu futuro profissional.
O relato da enfermeira também destaca a sobrecarga de trabalho, com jornadas extenuantes e responsabilidades acumuladas. Em um dos episódios mencionados, a enfermeira estava sozinha em uma UTI de 20 leitos, lidando com procedimentos, relatórios e chamadas para condutores, enquanto aguardava mensagens da supervisão.
Essa sobrecarga não apenas compromete a qualidade do atendimento prestado aos pacientes, mas também coloca em risco a saúde física e mental dos profissionais de saúde, que estão na linha de frente dessa batalha contra a pandemia.
A intervenção na saúde de Cuiabá, ao invés de ser a solução esperada, revela-se como um fator exacerbador da crise no sistema de saúde. É urgente que as autoridades competentes reavaliem e ajustem suas estratégias, priorizando a contratação adequada de profissionais e garantindo condições dignas de trabalho para aqueles que estão na linha de frente desta batalha. A população cuiabana merece um sistema de saúde eficiente e que respeite seus profissionais. A atual situação, como denunciada pela enfermeira, clama por ações imediatas para evitar consequências desastrosas para a saúde pública da capital.
























