INCIDENTES COM ANIMAIS

HMC contabiliza mais de 240 acidentes com animais “indesejáveis” só neste ano

Reprodução

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Nos primeiros três meses de 2024, duzentas e quarenta e seis pessoas foram atendidas no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) como vítimas de acidentes com animais sinantrópicos, ou seja, aqueles que coabitam com os seres humanos em meio urbano, como aranhas-caranguejeiras, baratas, escorpiões e mosquitos, por exemplo.

Os incidentes com escorpiões representam a maior parcela dos atendimentos e foram 134 casos neste mesmo período. Em segundo lugar, estão as ocorrências com serpentes, com 56 registros. Na terceira posição, estão as situações envolvendo aranhas, que fizeram 17 pessoas procurarem atendimento médico.

Além disso, foram 12 incidentes com abelhas; seis com outros animais venenosos/peçonhentos; outros seis com animais não-peçonhentos e 15 com animais desconhecidos.

O HNT conversou com o Centro de Controle e Zoonoses (CCZ) de Cuiabá para saber quais ações são realizadas para conter essas pragas e buscar orientações sobre como lidar, caso esses animais decidam dar as caras.

De acordo com o biólogo Pablo Marcelo Pazóti, do CCZ, o órgão realiza o papel de vigilância em saúde, ou seja, orienta a população para evitar acidentes e manter a saúde pública. Além disso, fazem ações de vistorias e buscas ativas de possíveis locais que sejam foco desses animais.

“Fazemos vistorias de denúncias, buscas ativas em locais que tenham registro de acidentes/aparecimentos de escorpiões, barbeiros. Também fazemos a identificação dos animais enviados para nós. Mas é uma ação combinada, o morador elimina os locais onde o bicho aparece e nós vamos e fazemos a vistoria para capturar os animais que estiverem ainda no local, para evitar proliferação e, consequentemente, resolver o problema”, explicou o biólogo.

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No caso do escorpião, em que a picada de algumas espécies pode ser fatal, o biólogo ressaltou que os inseticidas comerciais não são eficazes contra esses animais. Então, o controle é feito pela eliminação de outros insetos que servem de alimento para o aracnídeo e extermínio de possíveis locais de abrigo, como rachaduras em paredes e entulhos. Além disso, é importante que caixas de gordura sejam vedadas.

Segundo Pazóti, a recomendação do Centro de Zoonoses é não manusear os animais para evitar qualquer tipo de acidente.

“Em casos como o das caranguejeiras, que não oferecem risco à saúde humana, mas podem causar um sentimento de estranheza pelo tamanho, esses aracnídeos podem facilmente ser capturados com uma vasilha, uma folha de papel e soltos em ambiente externo. Mas, em outros casos, como escorpiões, serpentes e até morcegos é recomendado chamar o Corpo de Bombeiros Militar, que atua na parte de captura”, orientou.

Todavia, se algum acidente acontecer, o profissional aconselha que a pessoa busque atendimento médico. Pablo salientou que o HMC possui um setor específico, o Ciatox, para esse tipo de ocorrência.

“Acidentes com animais venenosos e peçonhentos, a população deve sempre procurar atendimento médico no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Lá, existe um setor especializado (CIATOX) nesse tipo de ocorrência e capacitado para realizar esse atendimento. Em caso de acidentes com morcegos, o pronto-atendimento deve ser procurado, justamente por serem vetores do vírus da raiva. A recomendação é que o local da mordida seja lavado com água e sabão para evitar contaminação secundária e, no pronto-atendimento, os profissionais vão dar início ao esquema de profilaxia de raiva”, esclareceu.

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Impactos no ecossistema

O biólogo explicou que, apesar das ações preventivas no controle de pragas, a eliminação completa de qualquer espécie não é possível e nem é ecologicamente correta. Isso porque todo organismo vivo possui uma função.

“Todo animal tem seu papel em um ecossistema, e a recomendação de não matar reflete essa função. ‘Ah mas se eu matar uma cobra só nem vai fazer falta na natureza…’ Um exemplar realmente pode não afetar de maneira tão negativa um ecossistema inteiro, mas imagina só se o vizinho de cima pensar o mesmo, e o de baixo também, e os vizinhos da rua de trás, e da rua da frente. Uma hora não teríamos mais nenhum no meio ambiente”, pontuou.

“Como eu trabalho mais com as serpentes, vou usar elas como exemplo. As serpentes são controladoras de muitos animais que permeiam nossas cidades, como de roedores. Então, em caso de eliminação total desses animais causaria uma explosão populacional de ratos. E isso vale para todas as interações ecológicas. Outro exemplo bom de eliminação total de espécies são as dos morcegos. Se forem completamente eliminados, a polinização de diversas plantas seria comprometida, a dispersão de sementes, a manutenção da fauna e flora dos nossos parques entrariam em colapso, teríamos problemas com muitos insetos urbanos por não terem mais predadores”, complementou.

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