Um relatório de auditoria elaborado pela Controladoria Geral do Município (CGM) revelou indícios de sobrepreço de até 3000% em um contrato firmado pelo gabinete de intervenção do Estado com a empresa Medtrauma. O levantamento das informações foi realizado em cumprimento ao Decreto 1.058/2024, resultando em um panorama alarmante para a gestão da saúde pública em Cuiabá.
De acordo com o relatório preliminar de auditoria número 02/2024, referente ao contrato 014-2023 entre a Empresa Cuiabana de Saúde Pública e a empresa MEDTrauma, entregue ao prefeito Emanuel Pinheiro na última terça-feira (30), diversos itens fornecidos pela Medtrauma apresentaram discrepâncias significativas de preço em relação aos valores de mercado.
Um dos exemplos mais chocantes apontados pela CGM é o agilon parafuso rosca esponjosa de ângulo, que apresentou um possível sobrepreço de 3047%. Outro caso destacado é o item Insert Acetabular Implacross PE 10ª Crosslinked, fornecido por R$ 5.780,00, enquanto pesquisas de preço encontraram valores de até R$ 1.500,00, representando um possível sobrepreço de 285%.
Além das discrepâncias de preço, a CGM identificou fragilidades na fiscalização dos serviços prestados, especialmente na comprovação da utilização das Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME). Em alguns procedimentos cirúrgicos, não foram encontradas evidências da utilização dos materiais indicados nos registros.
Outra falha apontada pela auditoria foi o processo de cotação dos produtos, que muitas vezes se limitava à apresentação de orçamentos apenas de fornecedores das OPMEs, sem considerar preços públicos que pudessem estabelecer parâmetros para as aquisições. Em alguns casos, apenas três orçamentos eram apresentados, o que levanta suspeitas de manipulação de preços.
(com assessoria)













