Empresária denunciou à Polícia Federal adulteração de carta entregue à Delegacia de Crime Informáticos (DRCI), órgão ligado à Polícia Civil de MT, para incluir nomes de inimigos políticos

Empresária denuncia à PF que carta foi adulterada para incluir nomes de adversários políticos

Reprodução: issoenoticia

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A empresária Renata Fernandes da Silva Augusto denunciou a ex-primeira dama Virginia Mendes e o ex-governador Mauro Mendes (União) à Polícia Federal por supostos crimes de fraude processual, denunciação caluniosa e abuso de poder político e econômico, no decurso do inquérito aberto pela Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) de Cuiabá para apurar supostos crimes na entrega de uma carta endereçada à ex-primeira-dama, em sua casa, em 2025.

Conforme revelado pelo site   Isso É Notícia,  nesta sexta-feira (4), o Ministério Público Estadual (MPE) não viu crimes no episódio e determinou o arquivamento do inquérito.

O caso se tornou público a partir de declarações de Virginia no lançamento de sua candidatura a deputada federal.

Na notícia-crime apresentada à PF no fim do mês passado, Renata relata que imagens de câmera de segurança da casa de Virginia e Mauro Mendes não estariam funcionando exatamente no dia da suposta invasão denunciada em boletim de ocorrência pelo então chefe da Casa Militar, tenente-coronel Fernando Turbino.

Além disso, a empresária alega que a carta física apresentada por Virginia e Mauro Mendes à DRCI não corresponde à carta que realmente foi entregue para instruir o inquérito sigiloso aberto para investigar o caso.

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Para isso, apresentou um laudo da Politec que concluiu pela impossibilidade de fundamentar conclusão segura de autoria ou de exclusão de autoria  do documento.

“Não há notícia de cadeia de custódia documentada entre o recebimento da peça e sua apresentação formal à autoridade policial. Essa lacuna, somada às divergências identificadas pela representante entre o documento efetivamente produzido e entregue e aquele submetido à perícia oficial, constitui indício de substituição ou alteração da carta antes de sua juntada aos autos. Tal substituição também caracteriza fraude processual, na medida em que a alteração do estado da própria coisa, no caso o corpo de delito documental, teve por finalidade induzir a erro a autoridade policial e, subsequentemente, o Ministério Público e o Poder Judiciário.”

Inserção de nome de autoridades e políticos

Segundo a notícia-crime, a carta entregue por Mauro e Virginia Mendes foi adulterada com inserção de informações com nomes de políticos e outras autoridades.

“A inserção na carta falsificada de nomes de autoridades públicas não citadas originariamente pela denunciante, tem o claro viés de utilizar aquele fato para criar cenário inexistente de possíveis conflitos com pessoas que vinham denunciando os delitos praticados no caso OI, que ensejaram Operação da PF denominada Heritage, em especial família Campos [Senador Jayme Campos e Deputado Estadual Júlio Campos], família Riva [Deputada Estadual e candidata ao Senado Janaina Riva], dentre outros opositores políticos do casal denunciado”

Para a empresária, Mauro e Virgínia Mendes aproveitaram-se de sua boa-fé que quis, por meio da carta, alertá-los sobre possíveis articulações para atingir a imagem do casal.

“Em verdade, os representados se aproveitaram da boa-fé da denunciante, que, na realidade, queria apenas e tão somente preservar a sua imagem, bem como a reputação da então Primeira-Dama, diante da existência de boatos relativos um suposto envolvimento extraconjugal entre Eros [seu então companheiro e Ajudante de Ordens da Primeira-Dama] e a representada Virgínia. Assim, a conduta dos representados [Mauro e Virgínia] serviu claramente para dois propósitos espúrios: vingança e tentativa de criar um cenário fantasioso com a finalidade de justificarem e se protegerem de acusações gravíssimas que, posteriormente, a PF passou a investigar [Öperação Heritage].”

A empresária requereu à PF apuração de crimes de fraude processual, denunciação caluniosa e abuso de poder político e econômico, em tese, praticados por Mauro e Virginia Mendes.

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A notícia-crime foi autuada pela Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso, no dia 26 de agosto.

A reportagem tentou ouvir os candidatos Mauro e Virgínia Mendes, nesta sexta-feira (4), mas nenhuma resposta foi obtida.

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