Em meio à temporada crítica de incêndios florestais e aumento das demandas de atendimento emergencial, cresce a indignação entre os militares do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso. O motivo: enquanto unidades operam com efetivo reduzido, o Governo do Estado de Mato Grosso autoriza a compra de férias de vários coronéis inclusive do Comandante Geral e Comandante Geral Adjunto, medida que, para muitos, escancara a desigualdade dentro da corporação.
Nas palavras de um oficial subalterno que preferiu não se identificar, relata que é o praças que vai para o enfrentamento direto nas queimadas e no socorro à população, São eles que estão dia a dia atendendo a comunidade , e enquanto isso os oficiais superiores permanecem em ambiente climatizado e gozando de toda mordomia oferecida pelo Estado e pago pelo cidadão através dos seus imposto. A tropa está sobrecarregada, e o mínimo que se espera é igualdade de tratamento”.
A insatisfação ganhou força após relatos de que oficiais superiores receberam indenização pela não fruição de férias, enquanto praças continuam sem o mesmo direito e trabalhando em escalas estendidas para cobrir a falta de efetivo. Em várias unidades do interior e até mesmo na capital o número de militares é considerado insuficiente para atender às ocorrências de incêndios, salvamentos e acidentes de trânsito.
“Se há recursos para comprar férias de coronéis, por que não se destinam esses valores para reforçar o efetivo, melhorar as condições de trabalho ou pagar o mesmo benefício aos praças?”, questiona outro militar. “O Governo precisa entender que quem está na linha de frente também tem família, também sente cansaço e também merece reconhecimento.”
Segundo dados divulgados pelo próprio Corpo de Bombeiros, Mato Grosso conta atualmente com pouco mais de 1.400 militares na ativa, número considerado baixo diante da extensão territorial e das demandas crescentes em períodos de seca e queimadas. Ainda assim, a corporação tem se destacado no combate aos incêndios florestais, muitas vezes com recursos humanos e materiais limitados.
A medida do Governo, ao priorizar oficiais de alta patente em detrimento de outros militares, tem sido vista como um símbolo de falta de equidade dentro da instituição. “Pai que bate em Chico tem que bater em Francisco”, diz o ditado popular lembrado por membros da tropa. “Se o benefício é justo, que seja para todos.”
Enquanto isso, o clima entre os militares da base é de desmotivação. Muitos afirmam que o sentimento de injustiça e desvalorização cresce a cada ano. O risco é que essa desigualdade interna comprometa o moral da tropa e, consequentemente, a eficiência de um serviço essencial à população.
A sociedade espera transparência do Governo do Estado e do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros sobre os critérios utilizados para a compra de férias e sobre as ações reais de valorização daqueles que, diariamente, arriscam a vida para proteger vidas e patrimônios.



















