Estrutura foi batizada nos bastidores de "Cabidão da Educação"; enquanto servidores enfrentam atrasos, prefeitura amplia folha com nomeações políticas

“Economia pra quem?” – Enquanto anuncia crise, Abílio abre o “Cabidão da Educação” com 47 cargos

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Enquanto o prefeito Abílio Brunini (PL) mantém o discurso público de que o município enfrenta uma severa crise financeira, determinando contenção de gastos e alertando para a necessidade de austeridade, uma medida publicada no Diário Oficial desmente a narrativa e revela a ampliação da máquina pública com uma nova superestrutura e dezenas de nomeações.

A edição da Gazeta Municipal de 8 de outubro de 2025 oficializou a criação da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, uma pasta que nasce acompanhada de um exército de 47 cargos comissionados. A quantidade de nomeações em um momento de suposta vacas magras rendeu à nova secretaria o apelido de “Cabidão da Educação” entre servidores e adversários políticos.

A publicação detalha a nomeação de três ocupantes para o cargo de secretário de primeiro escalão, todos com a mesma remuneração. No entanto, apenas um deles, Amauri Monge Fernandes, detém poder legal para ordenar despesas. Os outros dois titulares, Jefferson Carvalho Neves (Esporte e Lazer) e Everton da Silva Oliveira (Cultura), são ironicamente chamados nos corredores do poder de “rainhas Elizabeth” – uma referência à monarca britânica que reina, mas não governa. Eles recebem salários de secretários, mas, conforme a estrutura definida, não comandam pastas independentes nem têm autonomia orçamentária.

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Além do trio de secretários, a lista é extensa: a publicação traz a nomeação de mais 44 pessoas para cargos de confiança, distribuídos entre diretores, coordenadores e assessores. A medida representa um aumento significativo e imediato na folha de pagamento do município, justamente quando servidores de carreira relatam atrasos salariais, ameaças de cortes de benefícios e redução de repasses para áreas essenciais.

A lista de nomeados inclui nomes como Otávio Rodrigo Palácio Favaro, Pablo Rodrigo Queiroz, Vilmara da Silva Vidica, Michele Cruz Silveira, Júlio Bispo de Cerqueira Neto, Jussara Ester Kmita, Leandro Henrique Preza Figueiró, Paulo César e Silva, Carla da Silva Ferreira, Fábio Bumlai Alves Pinto, Nelson Higino da Silva Júnior, Hermes Proença de Oliveira, Francisco das Chagas Rocha, João Paulo Valério Campos, Valquíria da Silva Graus, Júlia Maria Alves Jaques, Dryeli Sthefani da Silva Minas Novas, Marinez de Fátima da Silva, Karina Maria Rosa de Almeida, Sandra Soares Mendes, Wagner Luís Zaviaxky, Maria Aparecida Pereira de Oliveira, Aline Moreira Tosta Melo, Glaucia Bispo Câmara, Anna Flávia de Jorge, Cátia Simone Dorileo Costa, Leonardo Brandão Pereira, Vinicio Marques de Brito, Emerson da Silva Oliveira, Leonardo Caldas de Oliveira, Thifany Pantaroto Magalhães Bertho, Gilmara Aparecida Arruda Sales, Letícia Barbosa Ceron, Dayane Fátima Denardi Terra, Neuraides Ribeiro da Silva, Gabriela Caloi Loss, Maiza Pereira Lima, Paulo Roberto Santana Júnior, Paulo Pereira Epifânio, Ângelo Valentim Lena, Gutierrez Cecílio Belém, Isabella Maria Curvo Bezerra Santiago Curvo, Lauro Victor Marques Gonçalves, Rosberg Rabelo Martins, Iranildes Maria Figueiredo Cunha, Ricardo Giradelo da Silva, Edval Alves Ribeiro, Cleiton André Zuhl, Marcos Paulo Conceição dos Santos, Walmer Ferreira Sander, Thiago Eduardo Milhomem Santos Gonçalves e Edson Luiz Manfrin.

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O contraste é gritante. De um lado, o prefeito Brunini insiste no argumento da crise para justificar medidas de enxugamento que impactam o funcionalismo e os serviços públicos. De outro, seu gabinete promove a expansão de gastos com indicações políticas, criando 47 novos cargos comissionados em uma única canetada. O “Cabidão da Educação” se torna, assim, o símbolo mais recente da disparidade entre o discurso de austeridade e a prática do apadrinhamento na Prefeitura de Cuiabá.

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