Em discurso no Senado, parlamentar associou recursos sob apuração a investimentos que poderiam atender famílias, ampliar a saúde e financiar moradias, creches e escolas.

Jayme Campos cobra investigação sobre R$ 308 milhões e diz que recursos poderiam atender famílias em MT, veja VÍDEO

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O senador Jayme Campos (União-MT) subiu à tribuna do Senado Federal nesta quarta-feira (12) para cobrar uma investigação rigorosa sobre as suspeitas envolvendo a destinação de R$ 308 milhões em recursos públicos de Mato Grosso. O valor está no centro da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal no dia 6 de agosto para apurar um suposto esquema de desvio de dinheiro público e lavagem de capitais.

Durante o pronunciamento, Jayme afirmou que, caso as suspeitas sejam comprovadas, os responsáveis deverão responder pelos atos praticados. O senador também chamou atenção para o impacto social que os recursos poderiam representar caso fossem destinados corretamente às políticas públicas.

“Se ficar comprovado que alguém meteu a mão no dinheiro público, este precisa responder por seus atos. Não podemos aceitar a impunidade”, afirmou.

O parlamentar citou áreas como saúde, habitação e educação ao questionar quantas famílias poderiam ser beneficiadas com os valores atualmente sob investigação. Segundo a manifestação do senador, recursos dessa dimensão poderiam contribuir para a construção de moradias populares, creches e escolas, além de reforçar o atendimento à saúde nos municípios.

O que investiga a Operação Heritage

A Operação Heritage foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e mobilizou a Polícia Federal em quatro estados. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares determinadas pela Justiça.

A investigação envolve um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi para encerrar uma disputa relacionada a créditos tributários. O Estado realizou pagamentos que somaram aproximadamente R$ 308 milhões.

Segundo elementos apresentados pela Polícia Federal, o dinheiro teria sido posteriormente movimentado por meio de uma complexa estrutura financeira, incluindo fundos de investimento. A investigação procura identificar o caminho percorrido pelos recursos e eventual participação de agentes públicos, empresários e outras pessoas no suposto esquema.

A apuração também alcançou pessoas ligadas ao núcleo político e empresarial de Mato Grosso. Entre os alvos da operação estão o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia, além de outros investigados.

A PF também solicitou medidas para garantir o ressarcimento aos cofres públicos. As ordens judiciais estabeleceram bloqueio e indisponibilidade de bens e valores que podem chegar a aproximadamente R$ 316 milhões.

Acordo com a Oi entrou no centro da investigação

Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores foi a rapidez com que o acordo envolvendo o Estado e a empresa foi aprovado.

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De acordo com informações divulgadas a partir da decisão do ministro Flávio Dino, o procedimento de homologação do acordo teria levado cerca de 25 minutos. A decisão judicial também trouxe elementos sobre a movimentação financeira dos recursos e a criação de fundos que passaram a integrar a linha de investigação da Polícia Federal.

Outro elemento citado nas investigações é que determinados fundos apontados como parte da movimentação financeira teriam sido constituídos antes da concretização do acordo entre o Governo de Mato Grosso e a Oi. Segundo informações divulgadas com base nos elementos da PF, alguns desses fundos foram criados 48 dias antes do acordo.

A investigação busca esclarecer se houve planejamento prévio para direcionar ou ocultar os valores e se pessoas que participaram da operação financeira tinham conhecimento antecipado do acordo.

Dinheiro teria passado por diferentes fundos

A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que os recursos tenham sido pulverizados em diferentes estruturas financeiras para dificultar o rastreamento.

Segundo informações divulgadas a partir do relatório da investigação, até 15 fundos teriam sido utilizados na movimentação dos recursos. A suspeita é de que essa estrutura tenha permitido fragmentar o dinheiro e dificultar a identificação de seus beneficiários finais.

A PF também investiga a relação entre os recursos e fundos ligados ao Banco Master. A análise das movimentações financeiras é uma das principais frentes da Operação Heritage.

Até o momento, contudo, trata-se de uma investigação em andamento. A existência de movimentações financeiras ou de relações entre os investigados não significa, por si só, que tenha havido crime ou que todos os envolvidos tenham participado de eventual irregularidade.

Jayme cobra respeito ao devido processo legal

Ao comentar o caso no Senado, Jayme Campos afirmou que as autoridades devem investigar as suspeitas com profundidade, mas sem atropelar o direito de defesa.

O senador ressaltou que eventuais responsáveis precisam ser identificados e responsabilizados caso as irregularidades sejam comprovadas, mas defendeu o cumprimento das regras do devido processo legal.

Para Jayme, a política não pode ser utilizada como instrumento de enriquecimento pessoal e a administração pública deve ter como prioridade o atendimento à população.

A declaração ocorre poucos dias depois da deflagração da Operação Heritage, que provocou forte repercussão política em Mato Grosso e atingiu diretamente integrantes do grupo político que comandou o Estado nos últimos anos.

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“Mato Grosso não pode virar manchete policial”

No discurso, Jayme também defendeu que Mato Grosso seja conhecido nacionalmente por sua capacidade de produção, geração de empregos e oportunidades, e não por denúncias de corrupção ou investigações policiais.

A declaração ganhou peso político porque o senador recentemente disputou internamente a indicação do União Brasil para concorrer ao Governo de Mato Grosso. Na convenção realizada em 30 de julho, seu nome não foi referendado pela maioria dos convencionais.

Após o resultado, Jayme declarou respeito à decisão partidária e afirmou que permanecerá no Senado até o fim do mandato.

Em manifestações posteriores, o senador também passou a fazer críticas mais duras ao grupo político do governador Mauro Mendes, chegando a lamentar publicamente o apoio que deu à candidatura de Mendes em 2018.

O impacto político da investigação

A Operação Heritage passou a produzir efeitos que ultrapassam a esfera policial e judicial. A investigação atingiu nomes de peso da política mato-grossense justamente em um período de definição das alianças para as eleições de 2026.

A operação também alterou o ambiente político em torno da sucessão estadual e das disputas para o Senado. A repercussão do caso ocorre paralelamente às movimentações de grupos políticos que buscam definir candidaturas e alianças para outubro.

Nesse cenário, o discurso de Jayme Campos assume também uma dimensão política. Ao cobrar investigação e defender que os recursos públicos sejam convertidos em serviços para a população, o senador se posiciona diante de um dos casos de maior repercussão envolvendo a administração pública de Mato Grosso nos últimos anos.

Investigação ainda não representa condenação

A Operação Heritage está em fase de investigação. A Polícia Federal busca reunir documentos, analisar movimentações financeiras e identificar a eventual responsabilidade de cada um dos envolvidos.

As suspeitas investigadas incluem, em tese, crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, delitos contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

Até que as investigações sejam concluídas e haja decisões judiciais definitivas, os investigados devem ser tratados como suspeitos, e não como culpados.

Para Jayme Campos, o ponto central é que, independentemente de quem esteja envolvido, eventuais desvios de dinheiro público precisam ser rigorosamente apurados.

“Não podemos aceitar a impunidade”, reforçou o senador durante o pronunciamento.

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