A campanha de Mauro Mendes (União Brasil) ao Senado recebeu R$ 10 mil do empresário Luiz Viero Trevisan, que teve o nome incluído na chamada Lista Suja do trabalho escravo.
A informação foi publicada nesta quarta-feira (30) pela Repórter Brasil, a partir do cruzamento de dados das prestações de contas eleitorais com mais de duas décadas de registros do cadastro mantido pelo governo federal.
Segundo a reportagem, a doação foi realizada em 31 de agosto. Trevisan apareceu em uma das primeiras edições da Lista Suja, em dezembro de 2004, associado à Fazenda São Pedro, localizada em Santa Rita do Trivelato (MT).
O registro histórico utilizado no levantamento relaciona 73 trabalhadores à fiscalização realizada na propriedade.
A Repórter Brasil relata que os fiscais encontraram alojamentos sem banheiro e com estrutura precária, além de trabalhadores acomodados em espaços superlotados. A água utilizada no local era captada de um rio e, segundo os registros consultados pelo veículo, uma carcaça de búfalo chegou a ser retirada do mesmo ponto usado para consumo, banho e lavagem de roupas.
A fiscalização também descreveu um sistema de endividamento envolvendo o chamado “gato”, intermediário responsável pelo recrutamento e administração da mão de obra. Conforme a reportagem, eram feitas cobranças por transporte e alimentação e havia dificuldades para que trabalhadores deixassem o local antes do acerto das contas.
A Lista Suja é mantida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e reúne empregadores responsabilizados administrativamente por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. O MTE considera nessa caracterização situações como trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição de locomoção relacionada a dívidas ou outros mecanismos de retenção.
No levantamento nacional, a Repórter Brasil identificou 13 pessoas formalmente incluídas no cadastro que fizeram doações para 15 candidatos de nove partidos. Os repasses somaram ao menos R$ 837,4 mil. Além de Mauro Mendes, aparecem entre os destinatários Michelle Bolsonaro (PL-DF), Bia Kicis (PL-DF) e Mateus Simões (PSD-MG).
A reportagem ressalta que a passagem do doador pela Lista Suja não torna, por si só, ilegal a doação eleitoral. Os dados utilizados no levantamento são de uma prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) gerada em 16 de setembro.
A Repórter Brasil informou ainda que procurou a assessoria da campanha de Mauro Mendes, além de um advogado e da empresa de Trevisan, mas não recebeu manifestação até a publicação da matéria.
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