A vereadora cassada Fabiana Nascimento (PSDB) declarou em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, da TV Vila Real, nesta quinta-feira (30), que está sendo alvo de uma perseguição política no município de Chapada dos Guimarães. A parlamentar teve seu mandato cassado pela segunda vez na última quarta-feira, após a Câmara Municipal, por 9 votos a 2, considerar que ela quebrou o decoro ao supostamente advogar contra a prefeitura.
“Chapada tem coronel. Não é segredo, todo mundo sabe como funciona. Temos dois prefeitos. Então é a verdade dos fatos e eu estou sofrendo uma perseguição política, todo mundo sabe”, disse Fabiana, referindo-se à alegada perseguição orquestrada pelo ex-secretário de Governo, Gilberto Mello, com o apoio da Câmara de Vereadores.
Segundo Fabiana, ela passou a ser alvo de Gilberto Mello após cobrar a prestação de contas do Festival de Inverno de 2023. O evento recebeu recursos públicos do Governo do Estado e de emendas parlamentares, e a vereadora queria saber como o dinheiro obtido com a venda dos camarotes estava sendo utilizado. “Até porque, o que está sendo feito com esse dinheiro que está sendo da venda desse camarote? É para pagar palco? Mas e o dinheiro que vem, que é investido do governo, o dinheiro que é investido das emendas parlamentares? Tenho questionado. Se você questionar é lapada como estou sendo. Está claro que é perseguição política de gênero”, afirmou.
Fabiana Nascimento destacou que o grupo governista tenta inviabilizar sua candidatura, seja à prefeitura de Chapada, seja à reeleição como vereadora. Ela é um dos nomes cotados pelo grupo de oposição, que reúne quatro partidos, para desafiar a reeleição de Osmar Froner (União). “Eles querem me tirar da concorrência, do páreo. Eles querem me tirar tanto se for para a reeleição como vereadora, já que sou uma vereadora atuante, uma vereadora que pode puxar ali o meu histórico de requerimentos, uma das vereadoras que mais faz requerimentos. Quero saber de resposta. Realmente eu fiscalizo, desenvolvo meu papel de vereadora. E lá é assim ou você segue a ordem dele [Gilberto] ou cai no pau. Sou oposição, tenho meu posicionamento. O que é bom para o município vou votar, tenho acompanhado. Tenho a obrigação de questionar valores, dinheiro. Onde que está sendo investido o dinheiro público do nosso município?”
A vereadora cassada reiterou que não há justa causa para a perda do mandato, assim como ocorreu em dezembro do ano passado, quando a Câmara cassou seu mandato pelo mesmo placar. “Hoje vejo que é uma perseguição política, que eles estão usando o poder que a Câmara tem, que o Legislativo tem, para fazer a minha cassação, para me tirar de circulação. Até porque quem é o denunciante? É o ex-secretário de governo que na época era secretário de governo da gestão, Osmar Froner de Mello. E mandou para Casa. A mesma denúncia que ele fez na Casa, no desespero, fez no Ministério Público, que se manifestou pelo arquivamento. Ele recorreu, veio para a Procuradoria, que manteve a decisão do promotor de piso”.
Fabiana lembrou que a própria Comissão Processante da Câmara encaminhou o caso para a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso, que se posicionou pelo arquivamento, ao não constatar irregularidades na conduta profissional da parlamentar. “A OAB se manifestou falando que eu não tinha advogado contra o município. Os três processos que estou sendo acusada por advogar contra o município estão no PJE, são públicos. Qualquer pessoa pode entrar, qualquer advogado pode acessar. Está claro que eu não advoguei contra o município”.
A defesa de Fabiana está preparando um recurso que será apresentado ao Judiciário para tentar devolver o mandato à parlamentar. Esse é o primeiro mandato de Fabiana, que foi a terceira vereadora mais votada no município, com 442 votos.
(com informações folha do estado)




















