O capitão do Corpo de Bombeiros Militar, Daniel Alves Moura e Silva, teria afastado os “cangas” (companheiros de curso que prestam o primeiro apoio em caso de algum problema) e retirado os equipamentos de flutuação de Lucas Veloso Peres, 27 anos, durante treinamento nas águas da Lagoa Trevisan, em Cuiabá. O aluno morreu no dia 27 de fevereiro.
D. Alves, como é conhecido o capitão, prestou depoimento na última sexta-feira (15) na sede da Diretoria de Segurança Contra Incêndio e Pânico. Cerca de 20 pessoas foram ouvidas pela Corregedoria dos Bombeiros, que investiga o caso.
Segundo uma fonte, Lucas já havia apresentado dificuldades nos treinamentos na água. Quando entrou na Lagoa Trevisan, passou mal e começou a usar o flutuador para auxiliar na atividade. O capitão, então, teria mandado o aluno soltar o equipamento e fazer o exercício sem auxilio. Como Lucas continuou com dificuldades e não teria obedecido às ordens, Alves mandou os “cangas” se afastarem, retirou o flutuador e disse que ele iria ajudar o rapaz. Minutos depois, Lucas se afogou.
O aluno chegou a ser levado ao hospital H-Bento, onde não resistiu e veio a óbito. Ele foi enterrado em Caiapônia (GO).
Com a morte de Lucas, o governador Mauro Mendes assinou um decreto obrigando a gravação de todo o processo de treinamento das forças de Segurança do Estado de Mato Grosso.
Outro caso
Lucas não é o primeiro aluno a morrer durante um treinamento dos Bombeiros. Em 2016, o aluno Rodrigo Claro morreu durante atividades aquáticas, também na Lagoa Trevisan. A responsável pelo treinamento, a tenente Izadora Ledur, foi acusada de maus-tratos contra Rodrigo.
Posteriormente, o Conselho Especial de Justiça Militar condenou a tenente a um ano de prisão em regime aberto. Em 2022, o juiz João Bosco Soares da Silva, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, anunciou a prescrição da pena e arquivou processo.


















