MPE entende que ação movida por Flávia Moretti contra Wanderley Cerqueira não se enquadra nos requisitos da Lei Maria da Penha.

Tese de violência de gênero perde força após parecer do Ministério Público

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A ação apresentada pela prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), contra o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), sofreu uma importante reviravolta após manifestação do Ministério Público Estadual (MPE). Em parecer encaminhado à Justiça, o órgão defendeu que o processo deixe a Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e passe a tramitar em uma das Varas Criminais comuns do município.

O entendimento do Ministério Público representa um enfraquecimento da tese de que o episódio deveria ser tratado sob a ótica da violência de gênero, argumento que havia levado o caso para a esfera especializada. Para o promotor responsável pela análise, a situação narrada nos autos não atende aos requisitos previstos pela Lei Maria da Penha.

A ação foi proposta pela prefeita após declarações feitas por Wanderley durante uma sessão da Câmara Municipal. A acusação sustenta que a fala teria caráter ofensivo e estaria relacionada à condição de mulher da chefe do Executivo municipal.

No entanto, ao analisar o caso, o Ministério Público destacou que a Lei Maria da Penha exige a existência de contexto de violência doméstica, familiar ou de relação íntima de afeto entre as partes envolvidas. Segundo o parecer, não há nos autos qualquer elemento que demonstre a existência desse vínculo entre a prefeita e o presidente da Câmara.

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O órgão ministerial observou ainda que o fato ocorreu durante uma sessão pública do Legislativo, em ambiente institucional e político, sem relação doméstica ou familiar entre os envolvidos. Diante desse cenário, o entendimento foi de que o caso pode ser analisado, em tese, no âmbito dos crimes contra a honra, mas não dentro da competência da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar.

A manifestação não encerra o processo nem representa julgamento sobre a existência ou não de eventual ofensa. Entretanto, o parecer altera significativamente a condução do caso ao afastar o enquadramento que havia justificado sua remessa para a Vara da Mulher.

Nos bastidores políticos, o posicionamento do Ministério Público é visto como um desdobramento relevante de uma disputa que vem marcando a relação entre o Executivo e o Legislativo de Várzea Grande. Desde o início da atual gestão, prefeita e presidente da Câmara protagonizam divergências públicas sobre diversos temas administrativos e políticos.

Agora, caberá ao Poder Judiciário decidir se acolhe ou não o pedido do Ministério Público. Caso o entendimento seja confirmado, a ação seguirá tramitando na Justiça Criminal comum, onde o mérito da acusação continuará sendo analisado.

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