Base perde prazo e CPI do Assédio Sexual ganha prioridade na Câmara de Cuiabá

ASSÉDIO SEXUAL: Erro da base muda cenário e favorece CPI contra ex-chefe de gabinete de Abilio

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Um vacilo da base governista abriu brecha para que a Câmara de Cuiabá instale a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Assédio Sexual, proposta pela vereadora Maria Avallone (PSDB) para investigar o ex-chefe de gabinete do prefeito Abilio Brunini (PL), William Leite de Campos.

 

Isso porque, no mesmo dia em que se encerrou a CPI que investigou a aplicação de recursos financeiros e a origem da dívida de R$ 131 milhões no âmbito da Secretaria Municipal de Educação, referente ao período de 2023 e 2024, a parlamentar solicitou o desarquivamento de sua CPI às 16h58 de quarta-feira (8).

 

Já o vice-líder do prefeito, vereador Demilson Nogueira (PP), protocolou o pedido apenas às 20 horas,um novo pedido de CPI para investigar possíveis irregularidades na compra de materiais didáticos, livros e demais insumos pedagógicos pela Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá (SME) durante a atual gestão e que poderia ter gerado prejuízo de R$ 80 milhões. Contudo, segundo o documento, apenas depois das 21 horas é que se alcançou a nona assinatura.

 

No início da sessão desta quinta-feira, Maysa Leão comunicou a leitura do desarquivamento. Contudo, a presidente da Casa, vereadora Paula Calil (PL), revelou que a CPI da Educação, presidida pelo vereador Eduardo Magalhães (Republicanos), se encerrou e não houve pedido de prorrogação. Porém, ela afirmou que a discussão sobre o desarquivamento será tratada em reunião de Colégio de Líderes, que ocorrerá na próxima segunda-feira (13), para depois encaminhar ao Jurídico do Legislativo para parecer.

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A manobra de presidência da Câmara é parecida com quando surgiram os pedidos de CPI envolvendo a compra de livros do próprio Demilson Nogueira e Maysa Leão. Na época, o Jurídico definiu por arquivar os pedidos, tendo a possibilidade de desarquivamento, o que acabou acontecendo.

 

O caso   

Em fevereiro deste ano, a ex-servidora da Secretaria de Trabalho de Cuiabá registrou um boletim de ocorrência contra o secretário e ex-chefe de gabinete do prefeito Abilio Willian Leite, de assédio sexual. O crime teria ocorrido ainda no ano passado, mas o boletim de ocorrência foi registrado só neste ano.

 

Segundo o boletim, a mulher relata que, ainda em 2025, recebeu uma ligação com o convite para integrar a equipe da gestão municipal. Contente com o chamado, ela aceitou e passou a trabalhar diretamente com o acusado, seu superior imediato.  Logo nos primeiros dias, a conduta do homem mostrou-se incômoda. A insistência em conversas e o contato físico eram recorrentes, assim como os convites para “permanecer a sós” em outros locais. A orientação era para que a jovem não permitisse a entrada de outras pessoas em sua sala, nem conversasse ou mantivesse contatos externos, configurando uma situação de total isolamento.

 

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Em certa ocasião, a jovem enfrentou problemas em sua conta bancária e, estando com dinheiro em espécie, pediu que o chefe transferisse o valor para outra conta enquanto ela lhe entregaria as cédulas. Contudo, o valor transferido foi maior do que o combinado. Ao questioná-lo, a servidora foi orientada a utilizar o montante excedente para despesas “solicitadas” por ele. A conta de origem pertencia a uma empresa de comunicação e publicidade.

 

Houve também um conflito devido ao suposto sumiço de um pen drive, motivo pelo qual Leite ligou gritando com a servidora. Posteriormente, confirmou-se que o objeto estava na casa dele. Além disso, pessoas do entorno diziam à vítima: “vocês só estão aqui por serem bonitas, caso contrário não teriam sido nomeadas pelo Willian”, o que gerava uma situação vexatória.

 

No boletim, a jovem relata que levou o caso ao secretário de Governo, Ananias Filho, que solicitou sua realocação para outro setor. Porém, antes que a mudança se efetivasse, o acusado tentou beijá-la à força. Este episódio foi o estopim para que ela pedisse demissão do cargo. No documento policial, a mulher afirma que teve medo de denunciar na época, mas que se encorajou agora diante da queixa de outras vítimas do então secretário.

 

Após a repercussão do pedido de CPI e da queixa de assédio, Willian Leite pediu exoneração.

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