Falta de profissionais e estrutura precária comprometem atendimento em saúde mental na capital

Luta Antimanicomial: Entre avanços e abandono, Cuiabá ainda falha no cuidado com a saúde mental

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No Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, a situação da saúde mental em Cuiabá levanta preocupações significativas. A capital mato-grossense, embora tenha avançado na implementação de serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Residências Terapêuticas (RTs), ainda enfrenta sérios desafios estruturais, de recursos humanos e de gestão que comprometem a efetividade da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) .
O movimento antimanicomial, que em 2026 completa 48 anos, defende um modelo de tratamento humanizado e baseado na comunidade, longe dos antigos manicômios. Contudo, a realidade em Cuiabá mostra que a transição para esse modelo ainda esbarra em obstáculos consideráveis .

CAPS: problemas estruturais e falta de profissionais

Os CAPS, pilares da reforma psiquiátrica, são essenciais para o atendimento de pessoas com transtornos mentais. Em Cuiabá, a vereadora Drª Mara já alertou para problemas estruturais e a crônica falta de profissionais após fiscalizações em unidades de saúde, incluindo os CAPS . Essa carência afeta diretamente a qualidade e a continuidade do cuidado, sobrecarregando as equipes existentes e limitando o acesso da população aos serviços .
Embora a Prefeitura de Cuiabá tenha anunciado a reinauguração do CAPS Adolescer, um passo importante para o atendimento infantojuvenil, a rede como um todo ainda padece de investimentos e de um planejamento robusto para garantir a plena capacidade de atendimento . O caos na saúde em Cuiabá, frequentemente denunciado, também atinge as unidades de tratamento de saúde mental, que operam com recursos limitados e infraestrutura precária .

Residências Terapêuticas: abandono e precariedade

As Residências Terapêuticas (RTs) são dispositivos fundamentais para a reinserção social de indivíduos com longo histórico de internação psiquiátrica. No entanto, em Cuiabá, a situação dessas unidades tem sido alvo de investigações e denúncias. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) chegou a investigar a Prefeitura de Cuiabá por “abandono” de residências terapêuticas, constatando a precariedade dos locais após relatórios da equipe de Serviço Social .
Além disso, fiscalizações em comunidades terapêuticas em Mato Grosso, que muitas vezes complementam ou substituem as RTs, identificaram irregularidades graves, incluindo casos de tortura em algumas instituições . Essas denúncias reforçam a urgência de uma fiscalização mais rigorosa e de um compromisso maior do poder público com a garantia dos direitos e a dignidade das pessoas em sofrimento psíquico.

Desafios da gestão municipal e o futuro da luta antimanicomial

Os problemas estruturais, a falta de profissionais e a precariedade das Residências Terapêuticas são reflexos de desafios maiores na gestão da saúde em Cuiabá. A mobilidade urbana, a infraestrutura e a buraqueira nas ruas, embora pareçam distantes da saúde mental, são indicativos de uma gestão que enfrenta dificuldades em diversas frentes, impactando indiretamente a qualidade de vida e o acesso a serviços essenciais .
Para o futuro da luta antimanicomial em Cuiabá, é imperativo que o município priorize a saúde mental, destinando recursos adequados, investindo na infraestrutura dos CAPS e RTs, e garantindo a contratação e capacitação de profissionais. A participação social e o controle social, através dos conselhos de saúde e da sociedade civil, são cruciais para cobrar do poder público o cumprimento dos princípios da reforma psiquiátrica e a construção de uma rede de atenção psicossocial verdadeiramente inclusiva e humanizada .
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