O governo de Mauro Mendes (União Brasil) enfrenta sua pior crise política e jurídica desde o início do mandato, com dois escândalos simultâneos envolvendo grandes somas de dinheiro público, falta de transparência e suspeitas de favorecimento a grupos privados. De um lado, a devolução sigilosa de R$ 308 milhões à operadora Oi S.A., autorizada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e questionada pela Justiça; de outro, um esquema milionário de possível fraude em empréstimos consignados que drena recursos de servidores públicos. A sucessão de casos levou juristas e oposicionistas a avaliarem que um pedido de impeachment contra o governador pode se tornar inevitável.
O caso Oi: R$ 308 milhões em créditos sob suspeita
Em março deste ano, o juiz Yale Sabo Mendes determinou a suspensão das transferências à Oi após descobrir que a empresa, em recuperação judicial, havia cedido créditos a um escritório de advocacia em Cuiabá. O acordo, firmado pela PGE sem publicidade, permitiu que a operadora recebesse os valores mesmo com dívidas bilionárias.
O que mais chamou a atenção, porém, foram os vínculos do escritório beneficiado com fundos de investimento ligados ao entorno do governador. A suspeita é que a operação tenha sido uma triangulação financeira para desviar recursos públicos, configurando conflito de interesses. A Oi já havia sido alvo de polêmicas no estado, incluindo acusações de lobby junto ao governo para quitar dívidas de forma privilegiada.
O esquema dos consignados: Servidores públicos como vítimas
Paralelamente, sindicatos denunciaram um sistema organizado de fraude em empréstimos consignados, operado pelas empresas MTCard e Capital Consig. Investigações preliminares apontam que servidores estaduais tiveram seus contracheques comprometidos por descontos irregulares, muitas vezes sem autorização.
Há indícios de que o esquema contou com a conivência de setores do governo, que teriam facilitado o acesso aos dados dos funcionários. O prejuízo estimado passa de dezenas de milhões de reais, afetando principalmente profissionais de baixa renda.
Cresce o coro por impeachment
Diante da gravidade e do acúmulo de irregularidades, juristas e líderes de oposição avaliam que o impeachment de Mauro Mendes deixou de ser uma hipótese remota. Os dois casos envolvem vultosos recursos públicos, beneficiamento de empresas privadas e possíveis crimes de responsabilidade fiscal.
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“Não se trata mais de um erro pontual, mas de um padrão de gestão que coloca interesses privados acima do patrimônio público”, afirmou um procurador que acompanha o caso sob condição de anonimato.
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“Se a Justiça e a Assembleia Legislativa cumprirem seu papel, o impeachment será inevitável”, declarou um deputado da oposição.
Enquanto isso, o governo nega irregularidades e atribui as críticas a “interesses políticos”. A Procuradoria-Geral do Estado ainda não se manifestou sobre as suspeitas de conflito no caso Oi, e a Capital Consig afirmou, em nota, que “respeita a legislação e repudia qualquer acusação infundada”.
O que vem pela frente?
Com a Justiça e o Ministério Público em alerta, os próximos passos devem incluir:
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Aprofundamento das investigações sobre o destino dos R$ 308 milhões devolvidos à Oi.
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Ações judiciais para reparar os prejuízos dos servidores afetados pelo esquema de consignados.
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Pressão na Assembleia Legislativa para abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)ou mesmo processo de impeachment. (com informações blogdopopo)


















